Meu pai costumava dizer que o caos é muito lucrativo.
Oras !! Não existe aquela frase ? "Nos problemas devemos enxergar oportunidades"
Isso me remete a um dos itens dos 25 pontos do partido nazista, que dizia que qualquer lucro advindo da guerra deveria ser considerado como alta traição e seus autores deveriam sofrer a mais severa punição.
Mas será apenas a Guerra o caos ? Oras, epidemias, desastres naturais, ou qualquer evento que interfira no pleno funcionamento da ordem social vigente em larga escala pode ser considerado algo caótico. E quanto maior o problema, mais necessário, e consequentemente cara, é a solução
Numa outra contra-parte estão as empresas privadas. A "boa" empresa privada. Mas o que mais me impressiona no cidadão médio, é que ele acredita que uma empresa privada segue os mesmos valores humanos que ele segue. Ele realmente consegue enxergar uma empresa que possua como diretivas os valores éticos que ele possue: honestidade, hedoniedade, competência, interesse público, etc...
A questão é que uma empresa só sobrevive pelo lucro, portanto é apenas o lucro que ela vai buscar. Novamente, Schoppenhauer, que fala do ser humano, mas serve para uma empresa: alguém só vai faz algo de interesse alheio caso isso o beneficie direta ou indiretamente. Portanto, assim como o homem, qualquer coisa que uma empresa lhe proporcione, só está sendo feito porque a empresa busca o lucro, e não o cliente. O cliente é apenas o meio. Logo, para qualquer empresa privada que necessite de lucro para sobreviver, o interesse público é apenas um meio para seu objetivo principal, que é o lucro.
Esse é o debate fundamental entre a privatização e a estatização. São dois casos completamente distintos e com objetivos opostos.
E é nesse ponto que as coisas se confrontam:
Será que se uma empresa privada subexiste pelo lucro promovido por um problema, ela prestará um serviço cujo o objetivo final seja a erradicação do problema, ou será que ela apenas irá fazer o necessário para resolver o problema de forma isolada ? Principalmente porque o lucro é sempre diretamente proporcional ao tamanho do "problema".
E no contrário com uma empresa estatal ? Onde o dono teoricamente é o povo, através da máquina de estado que ele ajuda a manter, qual será o interesse ? Em uma empresa estatal modelo, sem dúvida o interesse passa a ser o público. Não existe empresa que é seu próprio cliente, e assim é uma empresa estatal (através do povo que compõe o estado). Portanto numa empresa estatal ideal seu objetivo não é o lucro, mas sim atender ao público, e de preferência resolver o problema da forma mais eficiente possível com o menor custo possível, pois quem está bancando é o próprio estado que é dono da empresa e quem está usufruindo do serviço também é o Estado, através do povo. E nessa premissa está o porquê de uma estatal não necessariamente precisa dar lucro. Pois caso esse seja o objetivo dela, ela não só intencionará que o "problema" aumente, como irá passar a retirar dinheiro do próprio estado (contribuinte).
A história demonstrou que as empresas estatais com serviços de má qualidade, não oferecem serviços de má qualidade por serem estatais, mas sim por possuírem má administração. Exemplos de empresas estatais que prestaram grandes serviços e concorreram e concorrem com gigantes: A inglesa British Telecom (a dos orelhoes vermelhos, privatizada em 1996); a Embraer no Brasil (hoje privatizada); o Porto de Paranaguá -PR- ( que por berço atende com mais eficiência do que o privado porto de Santos); Correios e Telégrafos do Brasil; todas as empresas de armamentos russas são estatais (e possuem máquinas e tecnologias espetaculares como Sukhois e Migs e os identificadores a laser, submarinos Thypoon, tanques T, etc), as 13 maiores empresas de petróleo do mundo são estatais.
O que é preciso para uma empresa Estatal dar certo não é se tornar privada, mas sim ter boa administração e um governo que faça o controle da empresa cumprir a tarefa que lhe foi delegada, e não tornar a empresa um cabide de empregos, como aconteceu em muitas empresas no Brasil.
No entanto, o problema não termina somente na administração.
Existe um obstáculo muito maior para o Estado transpor, obstáculo este que o torna tão frágil quanto nós mesmos, que é o dinheiro. Sim. O Estado precisa de dinheiro, pois por ser uma república não pode obrigar seu cidadão a trabalhar para ele.
O leitor, ao me ler argumentando dessa forma, pode estranhar eu achar "normal" um Estado Facista( e não se confundam, pois a principal definição do fascismo é que o cidadão é instrumento do estado, e não o inverso como na república). Mas me perdoem: não vejo diferença entre trabalhar diretamente para o Estado sem remuneração ou dar obrigatoriamente parte de minha renda para o Estado (impostos).
Mas enfim, não é este o foco, mas sim o fato de que o Estado pode depender também do caos para sua subexistência.
Costumo usar como exemplo os fumantes, que representam uma receita de aprox. 20 bilhões anuais somente em impostos (1/3 do orçamento da saúde em 2009). E com toda a certeza, desses 20 bilhões, nem 1/5 é usado para o tratamento de doenças proveniente do fumo pela rede pública de saúde. Normalmente quem cuida da saúde constantemente, é porque tem convênio particular.
E agora vem a questão. Será que há mesmo interesse por parte do Estado em erradicar o fumo no Brasil ? Ninguém mata sua galinha dos ovos de ouro.
E se um governo age assim, e ninguém me tira da cabeça que ele age dessa forma (ou seja, debaixo dessa matemática), o que pensar de uma empresa ?
Mas dentre todas, as empresas farmacêuticas são as que mais me dão medo e me levantam desconfiança. Afinal, não me entra na cabeça como uma empresa que vive da cura de doenças não tenha interessem em promover a disseminação das mesmas, ou ainda, não consigo ter a simples boa fé de que uma empresa farmacêutica busque uma cura definitiva para uma doença, mas somente seu tratamento. E o pior de tudo, não consigo acreditar que empresas farmacêuticas não promovam fortes lobbys para que tratamentos realmente eficientes que permitam a erradicação de determinada doença sejam sabotados ou interferidos.
Enfim, é uma questão de interesses tão simples, que talvez uma criança de 4 anos (com toda a sua espontaneidade) conseguiria entender melhor do que um adulto formado, mas não há segredo, senão que ninguém busca nada além do que seu próprio interesse.
Não devemos esperar nada das empresas senão a busca pelo lucro. Todo o resto não passa de pura propaganda.
Sds
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