quarta-feira, 21 de julho de 2010

Occasional Letter

Esses dias, estava voltando do serviço e ao entrar em casa com minha moto, passa pela rua meu professor da Oitava Série do Ginásio, acho que de 1992. Ele era meu professor de história e ensinou história do Brasil. Parei a moto, o chamei e ficamos conversando.
Eu lhe falei da minha carreira, como foi minha vida nesses 20 anos, essas coisas. E eu como grande amante da educação, fatalmente cheguei ao tema da profissão professor. Quis perguntar para ele como é ser professor hoje, e fiquei literalmente chocado com o que ele me disse.
O que ouvi dele foi exatamente o que os e-mails sobre educação que circulam na internet dizem. Impressionante !! Escola agora é produto a ser consumido.
Me lembro que quando professor convocava meus pais para uma conversa caso minhas notas tivessem baixas, eu já podia esperar o pior (castigo). Atualmente, se o aluno não tira boas notas, a culpa é atribuída ao professor, como se o pai não tivesse a menor responsabilidade em manter o foco dos filhos nos estudos.
As famílias estão desestruturadas - palavras dele -, as pessoas casam, descasam, e o filho acaba se sendo um segundo plano, apenas o produto de uma relação, e não o fator. Muitos pensam que conceitos de casamento existem para fins conjugais, mas estão errados, todos os profetas e filósofos idealizaram o casamento com a única finalidade de manutenção da prole.
Segundo ele, os jovens assistem Malhação e acabam achando que escola é aquilo. Ou seja, lugar para namoro, curtição, intrigas, fofocas e talvez, se der tempo, para estudar. Ele me disse que é comum professores pedirem exoneração por não suportarem o desinteresse e mau comportamento dos alunos.
Foi realmente triste ouvir tudo aquilo. No fim conversamos um pouco mais, ele se despediu de mim, ficou feliz pelas minhas novidades, e claro não pude deixar de reconhecer seu mérito. Afinal, se hoje sou o que sou, em partes foi graças a ele também.
Enfim, essa conversa me fez lembrar um manuscrito que li há 14 anos atrás chamado Occasional Letter Nº 1, escrito por John D. Rockefeller e Andrew Carnegie em 1906, e suportado por outros eminentes industriais e banqueiros. Todos foram os principais patrocinadores da educação compulsória dos EUA, desde a NTA(Nationtal Teatchers Association) que mais tarde viria a se tornar NEA (National Education Association, tornando uma agência reguladora da educação nos EUA justamente em 1906 com aprovação do congresso) , até o General Education Board (uma espécie de comissão geral de educação). O período em que se deu essa transformação na educação dos EUA foi de 30 anos, entre 1896 a 1920.
A idéia era simples: estes homens não estavam interessados em formar pensadores, legisladores, doutores, escritores seres humanos únicos e genuínos, com sua própria individualidade, e que mais tarde poderiam até lhes atrapalhar. Mas sim implantar o coletivismo: estavam interessandos em formar uma nação de trabalhadores, uma verdadeira massa, inteligentes o suficiente para efetuar grandes cálculos, criarem grandes utensílios, mas com a conhecimento insuficiente para terem a capacidade de discernirem o que realmente é bom ou ruim para seus próprios interesses.
O documento fala que para se atingir o objetivo final, através da educação compulsória, seriam necessários:
-A destruição do casamento, da família e do poder pátrio.
-A destruição da herança.
-A redução do quociente de inteligência(QI) a um fator comum.
As ações tomadas para se atingir esses objetivos foram gradualmente introduzidas como normas e conteúdo dentro dessas cartilhas de educação dessas comissões, que como dito, em 1906 passaram a agências reguladoras aprovadas em congresso, e que por sua vez, obrigavam o cumprimento dessas cartilhas de forma compulsória.
A primeira idéia básica introduzida era ensinar a criança a fazer as coisas da forma perfeita, que seus país e mães fizeram de forma imperfeita. Desde então, o sistema de ensino promovido e regulado pelo estado nunca tivera o propósito de educar a criança para valores voltados para a família, educação futura de suas próprias crianças, ou o convívio com comunidade para formar o país. Mas a idéia era criar um país com uma forte e concentrada economia corporativa centralizada e centralizar principalmente a renda, e para tanto, a política de Estado tinha que alinhar-se ao mesmo objetivo. E foi a partir de 1910 que a escola começou a ser vista pelos governantes como uma extensão da indústria e uma ferramente do governo.
O primeiro alvo na educação era o fim dos hábitos de subexistência como atividades próprias (ou pequenos empresários ou negociantes). As escolas passaram a educar e preparar seus alunos para serem empregados de grandes sistemas de produção, promovendo um conteúdo justamente dava ênfase de forma eufemista ao convívio da vida urbana, da hierarquia do trabalho, e dos meios de produção, fazendo destas instituições, a força motriz que aparentemente move o país. Os alunos passariam a enxergar a si mesmos como futuros empregados dessas instituições, pois acreditarão que são elas que fundamentam o país.
Paralelamente, uma campanha psicológica de superprodução (promovendo as grandes indústrias e corporações como as melhores formas de progresso do Estado, um exemplo foi o Fordismo) tomou a américa, com o próposito de reduzir, através do desestimulo, o surgimento de pequenos empresários, artesãos ou pequenos fabricantes. E de 1880 a 1930, depois de eliminarem a a habilidade do americano de pensar como um trabalhador independente, as idéias e fundamentos de métodos de trabalhos e gerenciamento voltados para grande-escala já eram adotadas pela a maioria das empresas nos EUA, e desde então passou a ser de profunda influência para o modelo de educação nos EUA, e mais tarde na Europa e no Mundo.
Tanto que Ellwood P. Cubberley, membro dos professores de Columbia escreve em 1905, que como nos meios de produção, as crianças, estão sendo ensinadas e moldadas como um produto final, montadas de acordo com as especifiações e normas de um produto que atendem a indústria ou ao governo.
Em 1919 Arthur Calhoum escreve, uma nota para o "Social History of the Family" explicando o que acontece. Calhoum diz que o sonho de muitos estavam a se tornar realidade ao declarar que a criança estava saindo da custódia da família para passar a custódia de especialistas (colocados pelo estado). E de fato era e é o que acontece, pois a criança passa maior parte de seu tempo de infância e depois adolescência em companhia de amigos e mestres do que os próprios pais.
Em 1921 o prefeito de Nova York John F. Hylan diz em um discurso público que as escolas haviam se transformado em uma forma de "governo invisível".
São muitos os métodos implementados no currículum escolar que tem como objetivo nos moldar, implantar nosso conformismo, resignação e permitir o cumprimento das metas mencionadas acima . Não é possível expor todos em um simples post, mas fatalmente irei falar deles em outra ocasião, e neste momento farei questão de "linká-los" com este post.
No momento fico contente em simplesmente deixar o leito ciente de que a idéia de Educação Compulsória já foi vista como forma de preparação para a vida servil moderna, e não por Anarquistas, Teóricos da Conspiração ou Comunistas, mas sim por educadores.

Sds.


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