sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Street Wedding - Que invenção é essa ?

Esses dias passei mal em meu serviço, saí mais cedo, fui a um pronto socorro, mediquei e tinha que repousar.. A acontece que como venho de fretado, e não quis ter que pegar ônibus por 2 horas para poder chegar ao terminal tietê para depois vir para Campinas. iria demorar umas 4 horas. Então decidi pegar um hotel. Os comerciais (Ibis, Mercury, Formula 1, estavam todos lotados, então apelei, peguei um motel a beira da Castelo Branco e por alí fiquei até as 17:30 que era a hora que passaria o fretado na Castelo Branco.

Muito bem. Num quarto de motel, com dores, os canais pornôs serviam de instrumento de disuasão, pois tentava me concetrar no filme para ver se esquecia a dor. Dormi um pouco e acordei lá pelas 2 da tarde. Na TV fui para os canais normais e parei em um canal que não me lembro qual era, mostrava o making off de uma noiva que estava sendo maquiada, e como eu estava em um motel à beira da Castelo Branco, o barulho da estrada não me deixava ouvir a TV direito, e tampouco queria ouví-la.

Como sofro graves sintomas devido a minha Reclusão Doutrinária(a falta de TV), demorei a perceber do que se tratava aquilo.

De início pensei que se tratava de um casamento de verdade, com uma noiva de verdade, quero dizer que iria se casar naquele dia, e que fosse de alguém no mínimo pouco conhecida. A mulher era muito bonita, estilo loira apresentadora de TV, então acabei pensando isso.

Quando eles saem do "estúdio", penso que irão naturalmente a igreja, realizar todos os rituais litúrgicos da cerimônia, todas as devidas formalidades e protocolos, depois festa, bolo e tudo que eles têm direito. Mas não, vejo que eles saem para a rua, os noivos e toda a equipe desde gravação, fotografia e maquiagem.

Meio letárgico por causa da medicação, sem ouvir nada direito, quando vi aquilo pensei: "Ahh tá.. é só uma sessão de fotos".

E como estava meio que desconcentrado entre o limite do sono e dor me veio uma suposição muito peculiar: "É isso mesmo!! Ela deve ser uma apresentadora de TV e está apenas fazendo fotos como noiva.. sei lá.. pode ser".

As fotos eram muito bonitas. Um trabalho excelente e profissional muito semelhante a um anúncio de grande qualidade em revistas femininas. Verdadeiras obras-primas.

Foto a foto, os noivos e a equipe rodaram toda a cidade batiam fotos nos locais mais inusitados e imprevisíveis, sobre as mais adversas circunstâncias.

O programa me pareceu muito interessante, porque eu pensava que estava assistindo um making off de um anúncio de perfume francês ou de uma griffe que fosse circular em uma revista de grande porte (supus pela qualidade das fotos), e confesso que era muito legal de se assistir.

Somente nas últimas fotos, quando aparece uma criança filho de um dos noivos, ou talvez deles mesmos, quando a noiva da uma entrevista e fala da vida dela e tudo o mais e que foi caindo a ficha. E ao final do programa quando o fotógrafo fala sobre Street Wedding, cursos, etc, percebi que aquilo era uma espécie de "book" só que na "rua".

De momento fiquei muito confuso.

No album de casamento de meus pais deve ter duas ou três fotos onde eles realmente pousam para uma foto, todas as outras fotos são apenas fotos ocasionais da cerimônia, das entradas, dos protocolos, da festa, dos padrinhos e tudo o mais. Não existem momentos "fakes". Hoje nos casamentos que vejo, os noivos praticamente têm que perder algumas horas apenas para bater fotos, em "cenários" e com poses que não são condizem com a real situação do momento, ou seja, sorrisos, olhares, abraços e beijos, nada é espontâneo, e talvez nem mesmo a vontade do casal de estar ali. Tudo é "fabricado" para compor a fotografia.

Com certeza o dia será lembrado até a morte, talvez não em detalhes. Mas o que realmente não consigo compreender, é qual a finalidade dessas fotos ? Na verdade, a pergunta é: O que essas fotos devem fazer o casal sentir ?

Porque eu não vejo sentido em bater uma foto com a pessoa que amo em um lugar que nunca estive, ou estaria em uma situação comum. E tampouco acredito que todo este trabalho (e de fato é um trabalho como o feitos com modelos profissionais) proporcione algum momento especial que seja realmente duradouro para o resto da vida do casal. No momento, ali, talvez a única coisa especial seja a sensação de saber como é a vida de um modelo fotográfico. Se normalmente os casais tendem a terem os melhores momentos quando estão sozinhos (não falo de um local sem ninguém), como será possível numa correria daquelas eternizar algo ?

No programa havia uma sequencia onde o casal batia fotos a beira de uma ponte na Sé em Sampa. No momento me perguntei: será que este casal alguma vez parou por ali a pé e ficaram a beira da ponte abraçados olhando a avenida que passa abaixo, trocando olhares, se abraçando, se amando ? Pelo estilo do casal, eu duvido que a praça da Sé seja um local romântico pelo qual eles optariam a passar um dia se namorando.

Fotos em edifícios velhos em ruínas, enfim, em locais que não há como dizer que são os preferidos dos casais. Alguns podem até ser, mas não todos.

Fotos a beira da estrada, no meio da rua como se estivessem correndo e se arriscando. Mas claro ! Não podemos esquecer da equipe segurando o transito atrás.

Para que isso ?

Enfim, fiquei tentando analisar o que o casal esperava sentir daqui 15 anos ao olhar todos aqueles "falsos" momentos. Será que a minha velha foto com máquina de filme ou digital, com flashão na cara, não vale mais nada ? Até isso estão tentando rebaixar ?

Bom. Da parte que me toca resta apenas o lamento. O que dizer ? Até o rito do casamento se deteriorou: era para ser algo simples, um rito, uma cerimônia de união e uma comemoração. Mas não! Inputam na cabeça das pessoas que rito, cerimônia e festas para serem completas, precisam de tudo isso. Geram frustrações naqueles que não têm condições, e até naqueles que têm, pois como sabemos vendem ilusões. Não serão a cerimônia, ou festa ou uma sessão de fotos que consolidarão uma união de verdade, mas sim os laços já existentes.

Para se casar meu avô vendeu a bicicleta para comprar o terno. Ficou casado por 49 anos até minha avó falecer.


Sds

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dinheiro

Quanto maior é a fortuna, maior é a escravidão” Sêneca

Tenha em mente que: nenhuma lei ou regulação surge do nada, sem motivo ou mesmo sem um precedente histórico.
Para se entender o profundo mal que atormenta a humanidade, acredito pessoalmente que antes, deve se olhar para o dinheiro sob uma outra ótica.
Nos livros de história, nas tendências, e mesmo o “estabelishment”, o dinheiro é tratado com um certo eufemismo.
Nos disseram que sua origem veio pela necessidade de troca, para facilitar os negócios, entre outros benefícios para o homem de bem.
Como eu disse, para o homem de bem, porque como diz o famoso economista liberal Milton Freedman: “para todas as coisas, existe um grupo de interesse”. E é aí que entram os homens maus.
Talvez a menção mais antiga que se tenha do dinheiro (como conhecemos) seja das tribos da Judéia que, onde nos templos eram feitos os comércios, onde se vendiam os animais e outros itens para sacrifício.
No entanto, na região da China, o primeiro imperador que unificou as tribos chinesas formando o primeiro império chinês, Qin Shihuang (da Dinastia Qim) tinha uma visão bem interessante do dinheiro.
O maior benefício do dinheiro não está em sua utilidade (a troca), mas sim na sua mobilidade e liquidez (valor real). Entretanto, o dinheiro só pode existir sob uma premissa: a fé.
Na antiguidade, grandes riquezas requeriam grandes responsabilidades. Terras são bens imóveis, não se pode desloca-las; poderiam ser tomadas, e quanto mais terras se tinha, mais o dono teria que vigiá-las; “comodites”, em geral, eram todos perecíveis, ocupavam muito espaço e precisavam ser bem guardados; e os metais preciosos eram mais vistos como símbolo de nobreza do que riqueza (somente depois que passou a ser usada como moeda teve valor entre os “escravos”). Ou seja, sem o dinheiro, a riqueza de um homem era limitada até onde ele poderia exercer o domínio sobre o mesmo, necessitando de ajuda de outros homens.
Agora pense.. Não é justo dizer que em circunstâncias onde até então as grandes riquezas eram perecíveis e imóveis, o dinheiro surgiu como um Messias ? Oras, o dinheiro “externaliza” a responsabilidade do domínio permitindo um acúmulo de riqueza nunca antes possível.
E foi com esse pensamento que o imperador Qin, aqui conhecido como Chin, criou o dinheiro chinês. Não só o dinheiro, como também criou padrões e unidades de medidas universais no império, que teriam que serem adotados por todas as províncias.
Somente com a invenção do dinheiro se pode emergir grandes reis e nações, pois com a riqueza centralizada, já que o rei era o emissor do dinheiro, onde todos em seu território o aceitam, seu poder hegemônico passa a ser ilimitado e impenetrável.
Não há dúvidas que o dinheiro é útil para todos. Mas sem dúvida ele foi muito mais útil aos ricos do que aos pobres.

Sds