segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Moda

Hoje tenho 32 anos. Confesso abestalhado que fico surpreso a cada ano que passa ao ver como as pessoas são voláteis. Me refiro mesmo a suas opiniões.
Tenho um amigo de infância que quando tinhamos nossos 18 anos e frequentávamos as baladas, o cara que tinha o peito peludo, fazia questão de ir com a camisa com os 2 ultimos botões soltos só para mostrar o peito cabeludo, e ainda caçoava de nós nos chamando de bexiga porque não tínhamos o peito peludo. E essa ano, quando o vi sem camisa em um churrasco, percebi que ele estava todo depilado. E não, ele nem sequer pratica esportes.
Sintomas da moda.
Muitos podem argumentar que não há problema algum em ser vaidoso. Até concordo: não tenho nada contra em esconder um defeitinho ou querer realçar um atributo. Agora, não vejo sentido em mudar algo pensando que estarei melhor a vista dos outros sabendo que é só pela preferência dos outros.
Outro tipo de modismo é o de comportamento. As divisões de grupos e esteriotipos: Rockeiros, Hippies, Skatistas, Emo, Clubber, etc, etc e etc.. Sem falar das mudanças de valores, como hedonismo e libertinagem.
Nietzche costumava dizer que não existe inferioridade maior do que alguém querer igualar-se aos outros. Anular a si mesmo, diminuindo suas preferências só para agradar a outros e ser aceito representa a maior demonstração de complexo de inferioridade que um ser humano possa ter.
Eu concordo plenamente. E não é uma questão de orgulho ou superioridade, mas sim de respeito e auto-estimas próprias.
Um anúncio ou reportagem de televisão que diz que a pessoa tem auto-estima porque é vaidosa e segue uma moda ou comportamento é no mínimo contraditório. Pessoas que tem auto-estima não seguem moda porque não precisam agradar ninguém senão a si mesmas. E aquele que para agradar a si mesmo, precisa ouvir dos outros o quanto está agradável, também são pessoas com baixa-estima.
E pelo amor de Deus !!! não estou falando de eremitas de roupa suja ou mau cheirosa, nem de barba por fazer (que ora ou outra é moda.. mas vai entender), unhas sujas, etc..
É realmente intrigante este argumento da auto-estima. Justamente porque um outro "fator podre" da moda que pelo menos é bem visível para mim, é sua clara intenção de constantemente tentar nos rebaixar. Sempre nos colocando como obsoletos, antiquados e com baixa-estima justamente porque o que fazemos hoje (que eles nos disseram para fazer) já não é mais o que devemos fazer. Não faz o menor sentido em dar valor a mudar para ter que mudar de novo simplesmente por mudar.

Todas as mudanças têm um porquê. E as que menos têm sentido são as que mais devemos temer.

Gostaria de ser incisivo ao afirmar que sociedade deve ter muito cuidado com os modismos. As pessoas subestimam o poder de influência que tais comportamentos tem sobre a sociedade. Não vou me lembrar agora que filósofo grego que afirmou (mas fico de procurar e postar nos comentarios). Mas ele dizia que é a partir da moda que uma sociedade caminha para a ruína, porque afeta diretamente as relações familiares. A moda apenas influência aos jovens, que não tem suas opiniões e convicções formadas e de modo desastroso coloca os filhos "contra" seus pais, pois os filhos acreditam que o que fazem é melhor do que os pais faziam.
O maior impacto que os modismos geram na família estão nos vínculos. Os vínculos familiares se estabelecem de forma diretamente proporcional entre pais e filhos de acordo com a similaridade (aparência, comportamento, profissão, preferências, etc). Hoje pode parecer normal, pois já sofremos a consequencia, mas há 60 anos atrás, os filhos costumavam se vestir como os pais, seguir a profissão dos pais, ter a preferência dos pais, etc. E não porque eram obrigados à força, mas porque seus pais eram sua maior influência (já que não se perdia tanto tempo com tv, mídia, propaganda, etc..)
Quando se estabelece na cabeça dos filhos, preferências e opiniões diferentes das dos pais, está se desvinculando a criança da identidade familiar. Em outras palavras, está se enfraquecendo a família. As consequências são desastrosas: um filho que não gosta do que seus pais gostam, irá conviver menos com eles nos bom momentos, gerando novas preferências, que geram mais separação. E essa divergência de opiniões e preferências pode chegar a um nível tão contrastante, com a perda de toda a influência da família, ao ponto de um filho se envergonhar de alguma forma dos próprios pais.
Lembrem-se novamente. O Estado descende da Família. Desconstrua a família e desconstruirá o Estado.

Sds

sábado, 7 de agosto de 2010

Xenofobia distorcida...

Após escrever o tópico anterior e ter mencionado sobre os pontos do partido nazista, inevitavelmente me veio a cabeça alguns pensamentos acerca daqueles acontecimentos que me levaram a tentar fundamentar o porque da origem daquelas idéias, e falo da nacionalismo extremista alemão que imperou no 3º Reich.
Mas para entender exatamente os motivos que alimentaram o nacionalismo, não só na Alemanha, mas em todos os povos que durante a história se levantaram em busca da auto-determinação devemos fazer uma pequena analogia.
A analogia da Família. Sim, novamente !! Pois realmente, o melhor micro modelo (se é que posso chamar assim) para o Estado, é a família, já que como disse anteriormente, é quem constrói o Estado.
Pois bem !! Imagine que hipoteticamente uma família com uns 15 membros chegou de longe, receberam uma porção de terra para cultivar e morar, e por lá se instalaram.
A terra só era fértil em determinada época do ano, e assim se adaptaram: como o terreno era ideal para o cultivo de batatas, desenvolveram sua culinária em torno deste legume. A vegetação da região era repleta de bambus, e a partir dela criaram seus abrigos e utensílios. Era uma região delicada de se morar, mas sabendo de seus ciclos e habituando-se a eles, a vida era facilmente adaptável.
Quando havia épocas de ambundância, estocavam seus alimentos, e quando não tinham mais como estocar, paravam a produção e consumiam o excedente em festas e banquetes familiares, que quase sempre coincidiam na mesma época do ano. E da mesma forma, em épocas de escassez a vida era mais rígida, a família abdicava das práticas hedonistas para evitar o consumo excessivo em períodos naturais de escassez.
A água era pouca, e suas fontes dependiam demais das condições do solo de todo o terreno. O plantio, os rodízios, a extração do bambu, tudo tinha que ser feito com extrema disciplina, qualquer desbalanço no solo gerava sua perda de humidade, causando rachaduras e drenando toda a água que alimentaria a fonte.
Com o passar do tempo, técnicas de plantio foram criadas para maximizar a produção. E assim essa família foi crescendo, se distribuindo em pequenas casas dentro do terreno, separando-os do patriarca, mas ainda sim os hábitos familiares são muitos semelhantes, já que todos foram criados praticamente da mesma maneira.
Como toda a região era semelhante, e com graves problemas de escassez, seus vizinhos que tinham uma família maior e cujo o terreno não lhes era suficiente, passavam a cobiçar o terreno dos outros. E lá estava a família do terreno defendendo cada metro de terra que lhes competia.
Com o passar dos anos isso foi trazendo muitas infelicidades para essa família que durante todas essas batalhas perdeu muitos de seus membros. Com vista a necessidade, a família também começou a educar seus descendentes na arte da guerra, e como essa guerra tinha o objetivo a defesa do território, todas as armas passivas e ativas, técnicas persuasivas e disuasivas, eram criadas para a luta neste terreno. Mas os invasores não paravam de chegar, e de tempos em tempos grandes batalhas aconteciam.
Em um determinado período uma grande batalha dizimou grande parte dos homens do terreno, deixando muitas mulheres desamparadas. E como as mulheres nessa família não foram criadas para ter uma vida independente, o patriarca maior institui a poligamia, com o intuito de que os homens trouxessem as mulheres desamparadas para dentro de casa.
Ouve épocas em que o invasor era muito poderoso e essa terra foi invadida e ocupada, mas com o passar dos anos essa família, então feita de escrava e com o direito de culto de suas tradições proibido, manteve secretamente sua história, seu conhecimento, seus laços de identidade, embora tenha sido inevitável a "contaminação" com os hábitos de seu invasor, que introduziu a beterraba no plantio e utilizava o barro como principal matéria prima para infra-estrutura. Muitos dos hábitos dos invasores eram considerados diabólicos já que violavam fundamentalmente os costumes dessa família (como em épocas de ecassez, onde o invasor não abolia a pratica de festas ou banquetes).
E no momento mais crítico, que é sempre inevitável já que um invasor raramente conhece a terra de seu inimigo e usa os recursos sem sabedoria gerando a escassez que fomenta de forma definitiva a revolta de seus dominados, novamente com morte e sacrifício, essa família que cresceu enquanto escrava repeliu todos seus invasores enfraquecidos pela crise.
As coisas novamente se estabelecem como elas devem ser. A família, agora consumidora de batata com beterraba, e que usa barro e bambu em sua infra-estrutura se firma com um laço e identidade maiores ainda. Muitos dos conhecimentos foram perdidos pela proibição, pelo tempo e pela "contaminação". Como eles conseguiram conhecimento para o plantio em época de escassez de seus invasores, e com o terreno menos populado já que os invasores foram expulsos, a produção era quase constante, porém as comemorações e privações populares ainda foram mantidos.
A população de homens e mulheres se iguala, no entanto a poligamia ainda é mantida, já que poucos sequer hoje sabem porque ela surgiu e como todos convivem normalmente assim, não há porque abolir-la.
Com a prosperidade surgem os primeiros sentimentos de orgulhos e feitos. O conhecimento do uso sábio da terra por seu povo acaba sendo valorizado, e adulado, principalmente porque já foi provado que o uso incorreto não funciona. E com este orgulho familiar, em épocas de início de plantio ou colheita começaram a comemorar esses eventos. Passando a criar coreografias e alegorias (todas voltadas para a imitação do trabalho de plantio) que com o passar do tempo e a falta de necessidade (já que começaram a inventar instrumentos e usar animais no plantio) esses gestos que imitavam o trabalho de plantio foram incorporados como rituais na comemoração.
Com o tempo esse terreno (que já tinha aspectos de uma grande fazenda) começou a educar descendentes com a idéia de amor a terra, e do respeito por ela. Seus ancestrais passaram a ser vistos como patronos e pessoas essenciais para a existência da família tal como é na atualidade, e toda a educação dessa família se volta para o entendimento dela mesma e sua perpetuação.
Pois bem meus caros... Isso é um país.
E eu te pergunto. Quando você se hospeda na casa de outra família de favor, você exige que essa família mude seus hábitos para agradar a você, ou é você quem se adapta aos hábitos dessa família ? E mesmo que você pague a água que tu bebes, a comida que comes, o banheiro que usa, isso não lhe dá o direito de exigir nada, pois certamente na grande parte das vezes é essa família que está lhe fazendo o favor de lhe hospedar (pois ninguém sai da própria casa para ir a um lugar pior sem um motivo ainda pior), e quem bancou pela casa até o momento foi essa família que lhe recebe.
Então por que as pessoas acham que elas devem ter direitos em outros países ? Com que bases ou fundamentos, o cidadão do ocidente acha certo julgar outros povos e costumes ? Nós também crescemos sobre hábitos passados hierarquicamente durante gerações.
Qual é o problema de eu não querer um estrangeiro em meu país ? Meu país mal consegue abrigar com dignidade seus próprios cidadãos, então por que devo receber outros de braços abertos, e ainda lhe dar as melhores regalias ?
Se foram os ancestrais de nossos cidadãos que morreram e se sacrificaram para construir meu país, e muitas vezes lutando contra aqueles que hoje tentam entrar e se beneficiar de nossa riqueza, por que eu não tenho o direito de me manifestar contra ?
Os europeus,em parte, enxergam os imigrantes com a mesma ótica que expus esse texto: como invasores que estão acabando com suas riquezas, culturas, história e tradição. E se quiser minha opinião, eles tem o pleno direito.
O povo brasileiro sim que está burro. Burro a ponto de não raciocinar de acordo com seu próprio interesse. Quando ele sai daqui para ser acolhido em outro país, lhe dão o pior emprego, o tratam como sub-humano (pois o vêem como selvagem), tem uma série de privações com relação aos cidadãos conterrâneos, mas mesmo assim insistem em classificar esses lugares e pessoas como melhores. O brasileiro esquece que somente no Brasil é que ele será visto como um "semelhante" (pelo menos entre seu povo).
Quem acusa aquele que defende a preservação desses valores e tradições de Xenófobo, é o verdadeiro Xenófobo. Acabar com as culturas, massificando-as sob o pretexto de uma liberdade - diga-se de passagem uma falsa liberdade, que tem o voto (como se significasse liberdade), o trabalho remunerado (como se também significasse liberdade) e o hedonismo como principais valores - é o verdadeiro extermínio étnico dos povos que não se viu durante a história.
Não se mata um povo exterminando seus membros, mas sim acabando com sua história.
Sds.