Hoje tenho 32 anos. Confesso abestalhado que fico surpreso a cada ano que passa ao ver como as pessoas são voláteis. Me refiro mesmo a suas opiniões.
Tenho um amigo de infância que quando tinhamos nossos 18 anos e frequentávamos as baladas, o cara que tinha o peito peludo, fazia questão de ir com a camisa com os 2 ultimos botões soltos só para mostrar o peito cabeludo, e ainda caçoava de nós nos chamando de bexiga porque não tínhamos o peito peludo. E essa ano, quando o vi sem camisa em um churrasco, percebi que ele estava todo depilado. E não, ele nem sequer pratica esportes.
Sintomas da moda.
Muitos podem argumentar que não há problema algum em ser vaidoso. Até concordo: não tenho nada contra em esconder um defeitinho ou querer realçar um atributo. Agora, não vejo sentido em mudar algo pensando que estarei melhor a vista dos outros sabendo que é só pela preferência dos outros.
Outro tipo de modismo é o de comportamento. As divisões de grupos e esteriotipos: Rockeiros, Hippies, Skatistas, Emo, Clubber, etc, etc e etc.. Sem falar das mudanças de valores, como hedonismo e libertinagem.
Nietzche costumava dizer que não existe inferioridade maior do que alguém querer igualar-se aos outros. Anular a si mesmo, diminuindo suas preferências só para agradar a outros e ser aceito representa a maior demonstração de complexo de inferioridade que um ser humano possa ter.
Eu concordo plenamente. E não é uma questão de orgulho ou superioridade, mas sim de respeito e auto-estimas próprias.
Um anúncio ou reportagem de televisão que diz que a pessoa tem auto-estima porque é vaidosa e segue uma moda ou comportamento é no mínimo contraditório. Pessoas que tem auto-estima não seguem moda porque não precisam agradar ninguém senão a si mesmas. E aquele que para agradar a si mesmo, precisa ouvir dos outros o quanto está agradável, também são pessoas com baixa-estima.
E pelo amor de Deus !!! não estou falando de eremitas de roupa suja ou mau cheirosa, nem de barba por fazer (que ora ou outra é moda.. mas vai entender), unhas sujas, etc..
É realmente intrigante este argumento da auto-estima. Justamente porque um outro "fator podre" da moda que pelo menos é bem visível para mim, é sua clara intenção de constantemente tentar nos rebaixar. Sempre nos colocando como obsoletos, antiquados e com baixa-estima justamente porque o que fazemos hoje (que eles nos disseram para fazer) já não é mais o que devemos fazer. Não faz o menor sentido em dar valor a mudar para ter que mudar de novo simplesmente por mudar.
Todas as mudanças têm um porquê. E as que menos têm sentido são as que mais devemos temer.
Gostaria de ser incisivo ao afirmar que sociedade deve ter muito cuidado com os modismos. As pessoas subestimam o poder de influência que tais comportamentos tem sobre a sociedade. Não vou me lembrar agora que filósofo grego que afirmou (mas fico de procurar e postar nos comentarios). Mas ele dizia que é a partir da moda que uma sociedade caminha para a ruína, porque afeta diretamente as relações familiares. A moda apenas influência aos jovens, que não tem suas opiniões e convicções formadas e de modo desastroso coloca os filhos "contra" seus pais, pois os filhos acreditam que o que fazem é melhor do que os pais faziam.
O maior impacto que os modismos geram na família estão nos vínculos. Os vínculos familiares se estabelecem de forma diretamente proporcional entre pais e filhos de acordo com a similaridade (aparência, comportamento, profissão, preferências, etc). Hoje pode parecer normal, pois já sofremos a consequencia, mas há 60 anos atrás, os filhos costumavam se vestir como os pais, seguir a profissão dos pais, ter a preferência dos pais, etc. E não porque eram obrigados à força, mas porque seus pais eram sua maior influência (já que não se perdia tanto tempo com tv, mídia, propaganda, etc..)
Quando se estabelece na cabeça dos filhos, preferências e opiniões diferentes das dos pais, está se desvinculando a criança da identidade familiar. Em outras palavras, está se enfraquecendo a família. As consequências são desastrosas: um filho que não gosta do que seus pais gostam, irá conviver menos com eles nos bom momentos, gerando novas preferências, que geram mais separação. E essa divergência de opiniões e preferências pode chegar a um nível tão contrastante, com a perda de toda a influência da família, ao ponto de um filho se envergonhar de alguma forma dos próprios pais.
Lembrem-se novamente. O Estado descende da Família. Desconstrua a família e desconstruirá o Estado.
Sds