sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Caos, o Dinheiro e o Estado.

Meu pai costumava dizer que o caos é muito lucrativo.
Oras !! Não existe aquela frase ? "Nos problemas devemos enxergar oportunidades"
Isso me remete a um dos itens dos 25 pontos do partido nazista, que dizia que qualquer lucro advindo da guerra deveria ser considerado como alta traição e seus autores deveriam sofrer a mais severa punição.
Mas será apenas a Guerra o caos ? Oras, epidemias, desastres naturais, ou qualquer evento que interfira no pleno funcionamento da ordem social vigente em larga escala pode ser considerado algo caótico. E quanto maior o problema, mais necessário, e consequentemente cara, é a solução
Numa outra contra-parte estão as empresas privadas. A "boa" empresa privada. Mas o que mais me impressiona no cidadão médio, é que ele acredita que uma empresa privada segue os mesmos valores humanos que ele segue. Ele realmente consegue enxergar uma empresa que possua como diretivas os valores éticos que ele possue: honestidade, hedoniedade, competência, interesse público, etc...
A questão é que uma empresa só sobrevive pelo lucro, portanto é apenas o lucro que ela vai buscar. Novamente, Schoppenhauer, que fala do ser humano, mas serve para uma empresa: alguém só vai faz algo de interesse alheio caso isso o beneficie direta ou indiretamente. Portanto, assim como o homem, qualquer coisa que uma empresa lhe proporcione, só está sendo feito porque a empresa busca o lucro, e não o cliente. O cliente é apenas o meio. Logo, para qualquer empresa privada que necessite de lucro para sobreviver, o interesse público é apenas um meio para seu objetivo principal, que é o lucro.
Esse é o debate fundamental entre a privatização e a estatização. São dois casos completamente distintos e com objetivos opostos.
E é nesse ponto que as coisas se confrontam:
Será que se uma empresa privada subexiste pelo lucro promovido por um problema, ela prestará um serviço cujo o objetivo final seja a erradicação do problema, ou será que ela apenas irá fazer o necessário para resolver o problema de forma isolada ? Principalmente porque o lucro é sempre diretamente proporcional ao tamanho do "problema".
E no contrário com uma empresa estatal ? Onde o dono teoricamente é o povo, através da máquina de estado que ele ajuda a manter, qual será o interesse ? Em uma empresa estatal modelo, sem dúvida o interesse passa a ser o público. Não existe empresa que é seu próprio cliente, e assim é uma empresa estatal (através do povo que compõe o estado). Portanto numa empresa estatal ideal seu objetivo não é o lucro, mas sim atender ao público, e de preferência resolver o problema da forma mais eficiente possível com o menor custo possível, pois quem está bancando é o próprio estado que é dono da empresa e quem está usufruindo do serviço também é o Estado, através do povo. E nessa premissa está o porquê de uma estatal não necessariamente precisa dar lucro. Pois caso esse seja o objetivo dela, ela não só intencionará que o "problema" aumente, como irá passar a retirar dinheiro do próprio estado (contribuinte).
A história demonstrou que as empresas estatais com serviços de má qualidade, não oferecem serviços de má qualidade por serem estatais, mas sim por possuírem má administração. Exemplos de empresas estatais que prestaram grandes serviços e concorreram e concorrem com gigantes: A inglesa British Telecom (a dos orelhoes vermelhos, privatizada em 1996); a Embraer no Brasil (hoje privatizada); o Porto de Paranaguá -PR- ( que por berço atende com mais eficiência do que o privado porto de Santos); Correios e Telégrafos do Brasil; todas as empresas de armamentos russas são estatais (e possuem máquinas e tecnologias espetaculares como Sukhois e Migs e os identificadores a laser, submarinos Thypoon, tanques T, etc), as 13 maiores empresas de petróleo do mundo são estatais.
O que é preciso para uma empresa Estatal dar certo não é se tornar privada, mas sim ter boa administração e um governo que faça o controle da empresa cumprir a tarefa que lhe foi delegada, e não tornar a empresa um cabide de empregos, como aconteceu em muitas empresas no Brasil.
No entanto, o problema não termina somente na administração.
Existe um obstáculo muito maior para o Estado transpor, obstáculo este que o torna tão frágil quanto nós mesmos, que é o dinheiro. Sim. O Estado precisa de dinheiro, pois por ser uma república não pode obrigar seu cidadão a trabalhar para ele.
O leitor, ao me ler argumentando dessa forma, pode estranhar eu achar "normal" um Estado Facista( e não se confundam, pois a principal definição do fascismo é que o cidadão é instrumento do estado, e não o inverso como na república). Mas me perdoem: não vejo diferença entre trabalhar diretamente para o Estado sem remuneração ou dar obrigatoriamente parte de minha renda para o Estado (impostos).
Mas enfim, não é este o foco, mas sim o fato de que o Estado pode depender também do caos para sua subexistência.
Costumo usar como exemplo os fumantes, que representam uma receita de aprox. 20 bilhões anuais somente em impostos (1/3 do orçamento da saúde em 2009). E com toda a certeza, desses 20 bilhões, nem 1/5 é usado para o tratamento de doenças proveniente do fumo pela rede pública de saúde. Normalmente quem cuida da saúde constantemente, é porque tem convênio particular.
E agora vem a questão. Será que há mesmo interesse por parte do Estado em erradicar o fumo no Brasil ? Ninguém mata sua galinha dos ovos de ouro.
E se um governo age assim, e ninguém me tira da cabeça que ele age dessa forma (ou seja, debaixo dessa matemática), o que pensar de uma empresa ?
Mas dentre todas, as empresas farmacêuticas são as que mais me dão medo e me levantam desconfiança. Afinal, não me entra na cabeça como uma empresa que vive da cura de doenças não tenha interessem em promover a disseminação das mesmas, ou ainda, não consigo ter a simples boa fé de que uma empresa farmacêutica busque uma cura definitiva para uma doença, mas somente seu tratamento. E o pior de tudo, não consigo acreditar que empresas farmacêuticas não promovam fortes lobbys para que tratamentos realmente eficientes que permitam a erradicação de determinada doença sejam sabotados ou interferidos.
Enfim, é uma questão de interesses tão simples, que talvez uma criança de 4 anos (com toda a sua espontaneidade) conseguiria entender melhor do que um adulto formado, mas não há segredo, senão que ninguém busca nada além do que seu próprio interesse.
Não devemos esperar nada das empresas senão a busca pelo lucro. Todo o resto não passa de pura propaganda.

Sds

terça-feira, 27 de julho de 2010

É proibido dar Palmadas

Até isso os "especialistas" quiseram transformar em lei.
Claro !!! Novamente consequência da ignorância generalizada. E do medo (novamente o medo) ! Pois o criador da lei defende que se a lei existisse talvez Isabela Nardoni teria sido salva dos pais antes (pois a agressão dos pais os teria lhes entregado antes).
Mas como determinar se tal lei realmente traz benefício na formação do indivíduo ? E além disso, o que considerar benéfico ou maléfico na formação de um indivíduo ?
Bom, quando eu era pequeno, o que eu tinha mais medo era do "fio de ferro" de meu avô. Era simples. Ele pegava um fio de cobre de chuveiro (esses de 3mm), o torcia em um par e fazia uma espécie de varinha de uns 40cm de comprimento. Era fantástico, bastava uma varetada na bunda, e o fato jamais se repetia. Já meu pai usava a cinta, e minha mãe as mãos. Posso dizer que já tive muita perna zebrada, e vergões na bunda.
Em primeiro. Em todas as ocasiões que apanhei foi porque mereci, em todas as ocasiões eu sabia que estava fazendo algo indevido ou proibido, e já tinham me repreendido verbalmente , ou mesmo com castigo antes. Mas, quando a reinação era melhor do que a privação do castigo, como por exemplo, abrir o armário de doces de meu avô (que ele comprava para dar para TODOS os netos nas reuniões de domingo) e desprezar a mesada (que dava pra comprar menos doces do que eu e meu irmão "roubávamos"), nestes casos só a punição pela dor resolvia, pois o castigo era pior do que a peripécia.
Nunca deixei de gostar deles por isso, ou nunca os condenei por isso, afinal eles eram e são meus pais: minhas únicas referências, e por conseguinte a forma certa (na minha opinião) de se criar um indivíduo.
Não tenho dúvidas de que essa lei tem como objetivo interferir diretamente nas bases da família e na formação da criança de forma negativa. Querem dizer que o certo é castigar sem agressão física, mas eu acredito que pais que passam 10 horas fora de casa para trabalhar (das 16 horas uteis), não irão ter tempo de cumprir o castigo nos filhos, como era o caso de meus pais. A solução será os pais de hoje contratarem "empregada doméstica" para cumprir papel de carrasco, ou então "viciar" o filho em algo só para poder privá-lo e castigá-lo.
Com a dor física é tudo muito simples: A criança sente a dor, não espera por aquilo novamente e portanto não repete.
Alguém acha absurdo ? Oras, o Estado não é uma extensão da família ? Lembram-se de John Locke (2 Tratados sobre o Governo) ? tudo começou com família, que formou tribo, que formou reino, que formou estado (até chegar a um império) ? As leis do Estado são determinadas por preceitos que derivam dessa hierarquia de conduta e costume familiares. Portanto, se o Estado tem o direito de usar a força para manter a ordem, por que os pais não teriam ?
Palmadas, cintadas, fios-de-ferro são cócegas perto do poder de agressão das instituições policiais do Estado: da forma que eles te reprimem e te punem(quando você não foi morto durante a repressão), caso você transgrida as normas.
Além disso,voltando.
No que isso beneficia na formação do indivíduo ?
Acho que talvez a pergunta certa a fazer é: que tipo de indivíduos queremos ter ?
Bem.. quanto a isso deixo apenas alguns detalhes da História. Peguemos os Espartanos: Esparta foi uma cidade praticamente formada por soldados, que quase tomou toda a Grécia. Poucos conhecem realmente a história de Esparta, e baseiam-se somente nos filmes (e principalmente o último 300, tem cunho político e difamatório, pois a Pérsia, é hoje o Irã.. além disso os Persas são colocados como "selvagens" quando na realidade os persas eram muito mais avançados) , que erroneamente colocam os espartanos como idealistas. Nunca foram !! O homem espartano era criado para ser soldado. A mulher tinha mais poder do que o homem, e era vista como a Chefe da Família. Ao homem espartano, não lhe era ensinado a história de seu povo, seus costumes, política, religião, ou qualquer outra faculdade. Aos espartanos só era ensinado a agressão e a dor, a punição pela dor, e as conquistas pela agressão. Desde criança o espartano era ensinado a guerrear, a suportar e compreender a dor física, e assim, somente assim, foram os maiores guerreiros que a humanidade já conheceu.
Obviamente que não precisamos ser educados apenas pela a agressão, a moderação é a chave.
Mas uma coisa é certa: quem apanha, aprende a bater.

Sds.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Occasional Letter

Esses dias, estava voltando do serviço e ao entrar em casa com minha moto, passa pela rua meu professor da Oitava Série do Ginásio, acho que de 1992. Ele era meu professor de história e ensinou história do Brasil. Parei a moto, o chamei e ficamos conversando.
Eu lhe falei da minha carreira, como foi minha vida nesses 20 anos, essas coisas. E eu como grande amante da educação, fatalmente cheguei ao tema da profissão professor. Quis perguntar para ele como é ser professor hoje, e fiquei literalmente chocado com o que ele me disse.
O que ouvi dele foi exatamente o que os e-mails sobre educação que circulam na internet dizem. Impressionante !! Escola agora é produto a ser consumido.
Me lembro que quando professor convocava meus pais para uma conversa caso minhas notas tivessem baixas, eu já podia esperar o pior (castigo). Atualmente, se o aluno não tira boas notas, a culpa é atribuída ao professor, como se o pai não tivesse a menor responsabilidade em manter o foco dos filhos nos estudos.
As famílias estão desestruturadas - palavras dele -, as pessoas casam, descasam, e o filho acaba se sendo um segundo plano, apenas o produto de uma relação, e não o fator. Muitos pensam que conceitos de casamento existem para fins conjugais, mas estão errados, todos os profetas e filósofos idealizaram o casamento com a única finalidade de manutenção da prole.
Segundo ele, os jovens assistem Malhação e acabam achando que escola é aquilo. Ou seja, lugar para namoro, curtição, intrigas, fofocas e talvez, se der tempo, para estudar. Ele me disse que é comum professores pedirem exoneração por não suportarem o desinteresse e mau comportamento dos alunos.
Foi realmente triste ouvir tudo aquilo. No fim conversamos um pouco mais, ele se despediu de mim, ficou feliz pelas minhas novidades, e claro não pude deixar de reconhecer seu mérito. Afinal, se hoje sou o que sou, em partes foi graças a ele também.
Enfim, essa conversa me fez lembrar um manuscrito que li há 14 anos atrás chamado Occasional Letter Nº 1, escrito por John D. Rockefeller e Andrew Carnegie em 1906, e suportado por outros eminentes industriais e banqueiros. Todos foram os principais patrocinadores da educação compulsória dos EUA, desde a NTA(Nationtal Teatchers Association) que mais tarde viria a se tornar NEA (National Education Association, tornando uma agência reguladora da educação nos EUA justamente em 1906 com aprovação do congresso) , até o General Education Board (uma espécie de comissão geral de educação). O período em que se deu essa transformação na educação dos EUA foi de 30 anos, entre 1896 a 1920.
A idéia era simples: estes homens não estavam interessados em formar pensadores, legisladores, doutores, escritores seres humanos únicos e genuínos, com sua própria individualidade, e que mais tarde poderiam até lhes atrapalhar. Mas sim implantar o coletivismo: estavam interessandos em formar uma nação de trabalhadores, uma verdadeira massa, inteligentes o suficiente para efetuar grandes cálculos, criarem grandes utensílios, mas com a conhecimento insuficiente para terem a capacidade de discernirem o que realmente é bom ou ruim para seus próprios interesses.
O documento fala que para se atingir o objetivo final, através da educação compulsória, seriam necessários:
-A destruição do casamento, da família e do poder pátrio.
-A destruição da herança.
-A redução do quociente de inteligência(QI) a um fator comum.
As ações tomadas para se atingir esses objetivos foram gradualmente introduzidas como normas e conteúdo dentro dessas cartilhas de educação dessas comissões, que como dito, em 1906 passaram a agências reguladoras aprovadas em congresso, e que por sua vez, obrigavam o cumprimento dessas cartilhas de forma compulsória.
A primeira idéia básica introduzida era ensinar a criança a fazer as coisas da forma perfeita, que seus país e mães fizeram de forma imperfeita. Desde então, o sistema de ensino promovido e regulado pelo estado nunca tivera o propósito de educar a criança para valores voltados para a família, educação futura de suas próprias crianças, ou o convívio com comunidade para formar o país. Mas a idéia era criar um país com uma forte e concentrada economia corporativa centralizada e centralizar principalmente a renda, e para tanto, a política de Estado tinha que alinhar-se ao mesmo objetivo. E foi a partir de 1910 que a escola começou a ser vista pelos governantes como uma extensão da indústria e uma ferramente do governo.
O primeiro alvo na educação era o fim dos hábitos de subexistência como atividades próprias (ou pequenos empresários ou negociantes). As escolas passaram a educar e preparar seus alunos para serem empregados de grandes sistemas de produção, promovendo um conteúdo justamente dava ênfase de forma eufemista ao convívio da vida urbana, da hierarquia do trabalho, e dos meios de produção, fazendo destas instituições, a força motriz que aparentemente move o país. Os alunos passariam a enxergar a si mesmos como futuros empregados dessas instituições, pois acreditarão que são elas que fundamentam o país.
Paralelamente, uma campanha psicológica de superprodução (promovendo as grandes indústrias e corporações como as melhores formas de progresso do Estado, um exemplo foi o Fordismo) tomou a américa, com o próposito de reduzir, através do desestimulo, o surgimento de pequenos empresários, artesãos ou pequenos fabricantes. E de 1880 a 1930, depois de eliminarem a a habilidade do americano de pensar como um trabalhador independente, as idéias e fundamentos de métodos de trabalhos e gerenciamento voltados para grande-escala já eram adotadas pela a maioria das empresas nos EUA, e desde então passou a ser de profunda influência para o modelo de educação nos EUA, e mais tarde na Europa e no Mundo.
Tanto que Ellwood P. Cubberley, membro dos professores de Columbia escreve em 1905, que como nos meios de produção, as crianças, estão sendo ensinadas e moldadas como um produto final, montadas de acordo com as especifiações e normas de um produto que atendem a indústria ou ao governo.
Em 1919 Arthur Calhoum escreve, uma nota para o "Social History of the Family" explicando o que acontece. Calhoum diz que o sonho de muitos estavam a se tornar realidade ao declarar que a criança estava saindo da custódia da família para passar a custódia de especialistas (colocados pelo estado). E de fato era e é o que acontece, pois a criança passa maior parte de seu tempo de infância e depois adolescência em companhia de amigos e mestres do que os próprios pais.
Em 1921 o prefeito de Nova York John F. Hylan diz em um discurso público que as escolas haviam se transformado em uma forma de "governo invisível".
São muitos os métodos implementados no currículum escolar que tem como objetivo nos moldar, implantar nosso conformismo, resignação e permitir o cumprimento das metas mencionadas acima . Não é possível expor todos em um simples post, mas fatalmente irei falar deles em outra ocasião, e neste momento farei questão de "linká-los" com este post.
No momento fico contente em simplesmente deixar o leito ciente de que a idéia de Educação Compulsória já foi vista como forma de preparação para a vida servil moderna, e não por Anarquistas, Teóricos da Conspiração ou Comunistas, mas sim por educadores.

Sds.


sexta-feira, 16 de julho de 2010

HONRA E RETIDÃO

Não se engane ! Sua Honra e Retidão de nada adiantam, se você não pode beneficiar alguém com isso. Sinto pena daqueles que seguem este preceito, esperando um dia o reconhecimento. Ser correto, sincero, honesto, justo e honroso, não faz ninguém melhor que o incorreto, dissimulado, desonesto e desonrado.

Lembre-se: o ser humano é um eterno insatisfeito, e se ele possui insatisfação, é porque não está satisfeito consigo mesmo, já que os valores e medidas que definem o “melhor” ou “pior”, o “certo” e “errado” sempre vêm de pessoas que vivem uma vida diferente da dele. Logo, valores como sucesso, riqueza ou beleza, por exemplo, só podem vir de fora, ou seja, da avaliação dos outros, e ele absorve isto acreditando que ele nunca está num estado “perfeito”, e de fato, nunca estará porque a vida sempre é inconstante, e assim, raramente, os olhos ,do próprio ser enxergam seu real valor, ele só se sente completo quando é exaltado pelos outros de acordo com os valores que ele também absorveu.

Quantos aos valores que agradam o ser humano, estão sem dúvida, qualquer um relacionado com a luxúria, vaidade e conforto, por conseguinte, os valores que fomentam o orgulho, ou seja, os valores que a maioria das pessoas consideram importantes, e que por sua vez, geram sentimentos de inveja inversamente proporcionais. O que também é natural, já que quem eleva a cabeça, acaba sendo visto de longe (Horácio).

Preste atenção, mesmo os valores que sempre queremos de um amigo, como sinceridade e honestidade, servem apenas para nos garantir uma confiança mútua e uma segurança emocional. Indubitavelmente, chegamos a conclusão que nenhuma qualidade que não gere benefício a outra parte, tenha real valor, a não ser para quem a possui. Portanto, será a qualidade realmente uma qualidade ?Oras, quem nunca ouviu que até “Gênios que não conseguem transmitir suas idéias, de nada valem...”.

Somos realmente egoístas. Não basta alguém ser simplesmente o que é, temos que ganhar algo com isso, do contrário sentimos mais prazer em passar o tempo sozinhos. Acredito que a mesma regra para todas as relações humanas, até as “amorosas”. Seja lá o que você for, se caso você não beneficie seu parceiro em algum valor que ele considera importante, você não valerá de nada para ele.

Acredito também, que se não houvesse o benefício, não haveria também a afeição. Mesmo o relacionamento mais desinteressado que possa existir, existe na verdade, porque algum benefício ambas as partes possuem.

Ninguém agrada a outro sem motivo que lhe favoreça de algum modo. Nem mesmo a justiça é feita de bom grado. Uma beata pratica boa ação porque acredita que receberá algo em troca ao morrer.Um ateu que pratica a boa ação acredita na influência do exemplo. Mas todos todos esperam algo em troca.

Valores são relativos. O certo e errado é baseado sempre através de um ponto de referência, que chamo referência 0, ou a opinião de quem avalia.

Outro ponto importante. O conhecimento de cada um é extremamente importante para a classificação dos próprios valores. Pois só os conhecimentos, podem bloquear, intensificar, ou até mesmo inverter, as classificações de valores considerados bons ou ruins. Em inteligência aritificial, costumo definir que a “consciência” sempre terá vontade do bem estar próprio, e considerará qualquer coisa que estimule seus sentidos de forma positiva, essencial para isso. E somente o conhecimento pode impor um limite para esta vontade constante de bem estar.

Quanto ao título do texto ? Ele só existe por que eu quero dizer que, se você cultua estes valores, faça-os por si mesmo. Vale muito a pena. Mas nunca acredite em estar agradando alguém com isso, pois dificilmente você estará.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Amor e o Medo

Acho que quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, um dia perguntei a um maçom (parente muito, muito próximo meu) o que a maçonaria fazia, e ele me disse que se eu quisesse saber de fato, e mesmo ser um grande maçom, eu deveria estudar filosofia.
Foi o que fiz e faço desde os 16 anos de idade, não obstante eu tinha tentado antes mas minha imaturidade não me permitia a compreensão do texto. Mesmo lendo St Exupery, que me parecia ser uma leitura infantil e que li quando era garoto, só fui compreender sua mensagem quando li aos 18 anos.
Há 4 anos, resolvi ler uma obra que na verdade já desejava ler a muito tempo. Era "Ensaios" de Michel de Montaigne, publicado em uma edição espetacular em 2007 pela editora Imf. Comprei os 3 livros, o último li no começo de 2008.
Michel foi um aristocrata francês muito culto, que foi prefeito de Montaigne no século XVI e que um belo dia decidiu isolar-se em sua casa e escrever a grande obra de sua vida (e realmente é). O livro é composto de pequenos textos (ensaios) que dissertam sobre tudo, da analogia de grandes povos e sociedades ao sentimento mais mesquinho e fútil do ser humano.
Mas hoje, quero falar de alguns dos temas que me lembrei neste livro. Do amor, do apego e do medo.
O amor existe por causa do medo, e o medo existe por causa do amor ou apego, e todas elas só existem devido a ignorância. Os estóicos costumavam dizer que aquele que conquistasse algo que desejasse muito, iria saborear a mais amarga decepção. Pois aquele que tem o que muito deseja, jamais aproveita plenamente o objeto de seu desejo, ou pelo medo de perdê-lo, ou pelo medo de depreciá-lo, mas sempre pelo medo da perda (trazida pelo apego).
Estes sentimentos possuem relação tão íntima entre si que na minha opinião é tão real quanto as 3 leis de Newton. E são tão reais, que todo o conhecimento ancião, dos sábios das muitas civilizações e sociedades que por aqui passaram, foi usado com maestria para moldar a sociedade de acordo com seus desejos.
Vê-se essa relação na composição da hierarquia social. Maquiavel costumava dizer que todo o Grande Rei precisa de um Grande Inimigo, justificando o apego do povo ao rei graças ao medo da insegurança e da tirania alheia, e assim muitos reis e líderes durante a história da humanidade, ou criaram e/ou alimentaram inimigos para justificar sua posição.
A Religião utiliza-se do medo mais natural de todo o ser que vive para justificar sua existência. Confortando os amedrontados com promessas de imortalidade que jamais podem ser provadas, ou demonstradas e conjecturas colocadas como provas cabais. E assim, desta forma, o "crédulo" se alimenta do medo, inclusive sob a pena da dor eterna.
A submissão da humilhação do trabalho, onde gastamos a maior parte do tempo de nossa vida útil, que jamais será ressarcido, ser mantém pelo medo da pobreza, medo da fome, medo da indigência, do medo de não sermos iguais aos outros, e ao mesmo tempo, nos torna gratos mesmo pelo pouco que temos.
Ainda no próprio livro de Montaigne, vê-se um capítulo onde ele disserta que durante o mercantilismo a literatura espanhola, holandesa e européia em geral descrevia os nativos das américas e da áfrica como indivíduos selvagens. Como povos sem cultura própria, com deuses pagãos e sociedades que não acreditavam em vida após a morte. E que graças a seus próprios costumes, os colocavam como pessoas agressivas, que atacavam sem motivo algum e depois devoravam suas vítimas, e assim os colonos e exploradores não sentiriam o menor remorso em matá-los, expropriá-los ou convertê-los. E tudo isso fazia com que o homem branco orgulha-se ainda mais de sua própria origem.
Hoje vemos esse mesmo cenário com o Mundo Árabe.
Mas a questão fundamental é que o ser humano só irá se libertar desses males que o atormentam no dia em que ele cessar suas vontades e paixões, pois são elas que alimentam seu medo, e somente então, ele saberá determinar por si próprio o que é realmente perigoso e benéfico para si mesmo.
Sds