terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Da Servidão Moderna


Segue o texto de Jean-François Breant:

A servidão moderna é uma escravidão voluntária consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra.
Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que só lhes é outorgado se demonstram estarem devidamente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir.
Para que esta tragédia absurda possa ter seu lugar foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e sua alienação.
está a estranha modernidade de nossa época. Ao contrário dos escravos da antiguidade, a dos servos da Idade Média e a dos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada que não sabe de sua condição, ou melhor, que não quer saber.
Eles ignoram a revolta, cuja é a única e legítima reação dos explorados; aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles; e a renúncia e a resignação são as fontes de sua desgraça.
Este é o pesadelo dos escravos modernos, que almejam somente serem levados por esta dança macabra do sistema de alienação. A opressão se moderniza expandindo, por todas as partes, as diversas formas de mistificação que servem para ocultar nossa verdadeira condição de escravos.
Demonstrar a realidade tal como é e não tal como apresenta o poder, constitui a subversão mais genuína. Só a verdade é revolucionária.

A medida que constroem o seu mundo com a força alienada de seu próprio trabalho, a composição deste mundo se tornará a prisão onde eles deverão viver: um mundo sórdido, sem cheiro, sem sabor e que levam em si a miséria do modo de produção dominante. Essa composição está em permantente construção e nada nele é constante.
A remodelação contínua do espaço que nos rodeia é justificada pela estupidez generalizada e pela insegurança com que connvivem seus habitantes. Trata-se de mudar tudo à imagem do sistema e o mundo torna-se como uma fábrica, cada vez mais sujo e barulhento.
Cada parcela deste mundo é propriedade de um Estado ou de um Particular. Este roubo social, que é a apropriação exclusiva da terra, se materializa na onipresença dos muros, das grades, das cercas, das barreiras e das fronteiras. São as marcas visíveis dessa separação que invade tudo.
Mas paralelamente, a unificação do espaço segundo os interesses da cultura mercantil é o grande objetivo de nossa triste época. O mundo deve transformar-se em uma grande estrada absolutamente eficiente para facilitar o transporde das mercadorias, onde todo o obstáculo, natural ou humano, deve ser destruído.
A concentração humana dessa massa de escravos é o fiel reflexo de sua vida: assemelham-se a jaulas, a prisões e cavernas. Mas diferente do escravo ou prisioneiro antigo, o escravo da época moderna deve pagar pela sua própria jaula.
E neste estreito e escuro espaço onde vive o escravo acumula as mercadorias, que segundo as mensagens publicitárias onipresentes, deverão lhe trazer a felicidade e plenitude. Mas quanto mais ele acumula mercadorias, mais se afasta dele a possibilidade de um dia, ter acesso a verdadeira felicidade.
A Mercadoria: Ideologia que na essência priva do próprio trabalho quem a produz, e despoja a vida de quem a consome.
No sistema economico dominante, já não é mais a procura que condicionaa oferta, senão a oferta que determina a procura. E são assim como surgem, de maneira periódica, novas necessidades consideradas vitais pela imensa maioria da população: primeiro foi o rádio, logo foi o carro, depois a televisão, os computadores e agora celulares.
Tudo isso são mercadorias que são destribuídas massivamente num curto lapso de tempo que modificam profundamente as relações humanas: serve por um lado para isolar o homem mais e mais de seus semelhantes, e por outro lado para difundir as mensagens dominantes do sistema. E assim, as coisas que possuímos acabam nos possuindo.

Mas é só quando se alimenta que o escravo moderno ilustra melhor o estado de decadência em que se encontra.
Dispondo de cada vez menos tempo para preparar a própria comida que o alimenta, se vê reduzido a consumir rapidamente o que a indústria agroquímica produz; se perde nos supermercados em busca das marcas que a sociedade da falsa abundância lhe concede. Mas sua escolha não é mais do que uma ilusão.
A abundância dos produtos alimentícios não dissemina nada além de sua degradação e sua falsificação. Não passam de organismos geneticamente modificados misturados com corantes, conservantes, pesticidas, hormônios e tantos outros inventos da modernidade.
A busca do prazer imediato é a regra do modo de alimentação dominante, assim como todas as formas de consumo, e as consequencias desse meio de alimentação são vistas em todas as partes.
Mas frente à indigência da maioria é que o homem ocidental se regozija de sua posição e de seu consumo frenético. E por isso a miséria está onde quer que reine a sociedade totalitária mercantil, pois a escassez é a outra face da moeda da falsa abundância.
A produção agroquímica é suficiente para alimentar a totalidade da população, porém num sistema onde a escassez determina o valor e a desigualdade é critério para progresso, a fome e a miséria não desaparecerão jamais.
Outra consequencia da falsa abundância alimentar é a multiplicação das fábricas de concentração, e do extermínio bárbaro e em larga escala das espécies que servem para alimentar os escravos, e esta é a essência do modo de produção dominante. Lá a vida e a humanidade não resistem mais ante a tragédia de alguns.
A pilhagem dos recursos do planeta, a abundante produção de energia ou de mercadorias, os resíduos e os despejos do consumo ostentoso hipotecam as possibilidades de sobrevivência da nossa terra e das espécies que a povoam.
Mas para dar passagem para o Capitalismo Selvagem o crescimento não deve parar jamais. Há que se produzir, produzir e produzir cada vez mais.
Os mesmos que contaminam o planeta são os que se apresentam autalmente como salvadores do planeta. São os imbecis da indústria do espetáculo patrocinados pelas empresas multinacionais que tentam nos convencer que uma simples mudança em nossos hábitos bastará para salvar o planeta do desastre.
E enquanto nos culpam, continuam contaminando sem parar o meio ambiente e nosso espírito. Essas pobres teses falsamente ecológicas são repetidas por todos os políticos corruptos que necessitam de slogans publicitários, mas que não se atrevem a propor uma mudança radical no sistema de produção. Trata-se como sempre de mudar alguns detalhes para que o essencial siga o mesmo.

Para entrar na ciranda do consumo frenético é preciso de dinheiro, e para se tê-lo, é preciso trabalhar, ou melhor, "vender-se".
O sistema dominante fez do trabalho seu principal valor, e os escravos devem trabalhar cada vez mais para pagar a crédito sua vida miserável.
Se esgotam no trabalho, perdem com ele a maior parte de sua força vital e tem que suportar as piores humilhações.
Passam a vida toda fazendo uma atividade fatigante e monótona para o benefício de poucos.
A tensão do desemprego moderno tem como propósito assustá-los e fazê-los agradecer sem parar a generosidade do poder, afinal o que fariam sem essa tortura que é o trabalho ?
São essas as atividades alienantes as que nos apresentam como liberdade e autonomia: quanta mesquinhez e que desprezo !
Sempre pressionados pelo cronometro ou pela campainha, cada ação dos escravos está calculada para aumentar sua produtividade.
A organização científica do trabalho constitui a essência da disposição dos trabalhadores , do fruto de seu trabalho, e do tempo que passam na produção automática das mercadorias e dos serviços.
A atividade do trabalhador confunde-se com a de uma máquina em uma fábrica ou de um computador em um escritório. Mas o tempo pago não se recupera jamais.
Desta maneira cada empregado está ligado a um trabalho repetitivo, seja intelectual ou físico; é um especialista em sua área de produção e essa especialização se reproduz em escala planetária no marco da Divisão Internacional do Trabalho: Se concebe no Ocidente, se produz na Ásia e se morre na África.
À medida que o sistema de produção coloniza todos os setores da vida, o escravo moderno não satisfeito com sua servidão no trabalho, segue disperdiçando seu tempo nas atividades de diversão e férias planejadas.
Nenhum momento de sua vida escapa da influência do sistema. Cada instante de sua vida foi invadido

A degradação generalizada de seu meio ambiente, do ar que respira, da comida que consome, o estresse de sua condição de trabalho e da totalidade de sua vida social são as origens das novas doenças dos escravos modernos.
Mas sua condição servil é uma doença para a qual nunca existirá remédio. Somente a completa libertação da condição na qual se encontra pode permitir ao escravo moderno sair de seu sofrimento.
A medicina ocidental não conhece outro remédio contra os males do escravo moderno, senão a "multilação": esse é o princípio da cirurgia, dos antibióticos ou quimioterapias que trata os pacientes da medicina mercantil.
Nunca se ataca a causa dos males mas somente suas consequencias, pois a busca das causas de tantos males nos conduziria inevitavelmente à condenação implacável da organização social vigente.
E assim como o sistema converteu cada elemento do nosso mundo numa simples mercadoria, o mesmo aconteceu com nosso corpo: um objeto de estudos e experimentos para os pseudo-sábios da medicina mercantil e da biologia molecular. E hoje, os mestres do mundo estão a ponto de patentear tudo o que vive.
A decodificação completa do genoma do corpo humano é o ponto de partida para uma nova estratégia posta em ação pelo poder, ou seja, a decodificação genética não tem outra finalidade senão ampliar consideravelmente as fontes de lucro, bem como as formas de dominação e controle.
E como tantas outras coisas, nosso corpo já não nos pertence mais.

Pela a educação compulsória e a obediência forçada o escravo cresce obtendo reflexos de submissão. O melhor de sua vida escorre pelos seus dedos mas ele continua porque tem o costume de obedecer sempre. A obediência se converteu na sua segunda natureza e ele obedece sem mesmo saber porque, apenas sabe que deve obedecer.
Obedecer, Produzir e Consumir: aí está a tríade que domina sua vida.
Obedece a seus pais, seus professores, seus patrões, seus proprietários e seus negociantes. Obedece as leis e as forças de ordem. Obedece todos os poderes porque não sabe fazer outra coisa e não há nada que o assuste mais do que a desobediência porque a desobediência é o risco, a aventura e a mudança.
E assim como uma criança que entra em pânico quando se perde de seus pais, o escravo moderno se sente desorientado sem o poder que o doutrinou e também por isso continua obedecendo.
O medo fez de nós escravos e nos mantém nessa condição. Nos inclinamos diante dos mestres do mundo, aceitamos essa vida de humilhações e de miséria somente por temor.
Entretanto, dispomos da força numérica face a minoria que governa. Sua força não se obtém de sua polícia, mas sim de nosso consentimento. Justificamos nossa covardia em relação ao enfrentamento legítimo contra as forças que nos oprimem com um discurso cheio de humanismo moralizador.
A recusa pela violência revolucionária está cravada nos espíritos daqueles que se opõem ao sistema, justificada por valores que o próprio sistema lhes ensinou. Mas quando o sistema trata de conservar sua hegemonia ele não vacila nunca em utilizar-se da violência.
Existem alguns indivíduos que escapam do sistema de controle de alienação, mas estes vivem em constante vigilância. Todo o ato de rebelião ou resistência é assimilada como uma atividade desviada ou terrorista.
A liberdade não existe senão para aqueles que defendem os imperativos mercantis. A verdadeira oposição ao sistema dominante é totalmente clandestina, pois contra estes opositores, a repressão é a regra vigente.
E o silêncio da maiora dos escravos frente a tal repressão é justificado pela insistência dos meios de comunicação e políticos em omitir e negar o verdadeiro conflito existente na presente sociedade.

E como todos os seres oprimidos da história, o escravo moderno necessita de sua mística e de seu Deus para anestesiar o mal que lhe atormenta e o sofrimento que lhe deprime.
Mas esse novo Deus a quem lhe entregou sua alma não é mais que nada: um pedaço de papel; um número que só tem sentido porque todos decidiram dar.
É por esse novo Deus que ele estuda, que trabalha, ri e se vende. Por ele , o escravo moderno abandonou seus valores e está disposto a fazer o que seja. O escravo crê que quanto mais dinheiro possua, mais se livrará da coação que o subjuga, como se a posse fosse a via para a liberdade.
Mas a liberdade se aproxima à medida que se tem o domínio de si mesmo; um desejo,uma vontade de agir e sobretudo está no Ser e não no Ter. Mas há que decidir se não vai servir e nem obedecer mais. É árduo ser capaz de romper com os hábitos que todos, ao que parece, supõem ser o justo.
O escravo moderno está convencido de que não existe outra alternativa para a organização do mundo presente. Se resignou a esta vida porque pensa que não pode ser de outra forma e aí onde reside a força da dominação presente: fazer crer que este sistema que colonizou toda a superfície da Terra seja o "final da história". Convenceram a classe dominante de que adaptar-se a sua ideologia equivale a adaptar-se ao mundo tal como é, ou tal como sempre foi.
Rever um outro mundo converteu-se num crime condenado única e somente por toda a mídia e por todos os poderes, quando na verdade, o criminoso é aquele que contribui, conscientemente ou não com a demência da organização social dominante.
Não há loucura maior que a do sistema presente.

Frente a desolação do mundo real, torna-se necessário para o sistema colonizar também a mente dos escravos. E por isso o sistema dominante preferiu progressivamente usar, ao invés da repressão, a disuasão e que desde a idade mais tenra, cumpre o papel preponderante na formação dos escravos.
Eles devem esquecer de sua condição servil, sua pressão e sua vida miserável. Basta conter essa multidão hipnotizada conectando-as as "telas" que acompanham sua vida cotidiana. Eles disfarçam sua insatisfação permanente com o reflexo manipulado de uma vida idealizada em sonhos, cheia de dinheiro, de romances, de glória e de aventuras. Mas seus sonhos são tão lamentáveis como sua vida miserável.
Existem imagens para todos e para tudo. São as portas para as mensagens da sociedade moderna que servem de instrumento de unifação e propaganda, e multiplicam-se à medida que o homem é tirado de seu mundo e de sua vida.
É o menino, o primeiro consumidor dessas imagens. Tem-se que transformá-los em estúpidos e extirpá-los de toda a forma de reflexão e de crítica. E tudo isso se faz claramente, com a cumplicidade desconcertante de seus próprios pais que se renderam frente a força dos meios de comunicação modernos.
Eles mesmos compram todas as mercadorias necessárias para a escravização de deus descendentes. Desentendem-se quanto à educação de seus filhos e as entregam para a tutela do sistema de embrutecimento e da mediocridade.
Há imagens para todas as idades e todas as classes sociais. Os escravos modernos acabam confundindo essas imagens com cultura,e ocasionalmente, até com arte.
Recorre-se constantemente aos instintos mais baixos para venderem qualquer mercadoria, e é a mulher, duplamente escrava, que paga o preço mais alto na presente sociedade: ela é apresentada como simples objeto de consumo.
Até a revolta acabou sendo reduzida a uma imagem disprovida de seu real potencial subversivo.
A imagem segue sendo a forma de comunicação mais direta e mais eficaz: constrói modelos, embrutece as massas, mente, cria frustrações e incute a ideologia do sistema mercantil. Sim. Trata-se pois, mais uma vez do mesmo objetivo: vender. Vender produtos, ou idéias, ou comportamentos, ou modelos de vida, não importa o quê, mas vender.
Esses pobres homens divertem-se apenas para esquecer do autêntico mal que os atormenta. Deixaram que fizessem de sua vida qualquer coisa e fingem sentirem-se orgulhosos. Tentam reluzir satisfeitos, mas ninguém acredita e frente ao frio reflexo do espelho, conseguem enganarem a si mesmos e perdem seu tempo diante de uns imbecis que os fazem rir ou cantar, sonhar ou chorar.
Através do esporte de massas, o escravo moderno vive as vitórias e as derrotas, os esforços e as dores que não pode viver na própria pele. Sua insatisfação o obriga a viver por encargo frente ao aparelho de televisão.
Enquanto os imperadores de Roma antiga compravam a submissão de seu povo com pão e circo, atualmente é com diversões e um consumo cego com que se compra o silêncio dos escravos.

O controle das consciências é o resultado da utilização viciada da linguagem pela classe social economicamente dominante. Sendo eles os donos de todos os meios de comunicação, o poder difunde a ideologia mercantil através da definição fixa, parcial e emanada que atribui às palavras.
As palavras são apresentadas como se fossem neutras e sua definição como evidente. Controladas pelo poder designam sempre um conteúdo bem diferente do encontrado na vida real.
E ante toda uma linguagem de resignação, de impotência e de aceitação passiva das coisas tal como são e tal como devem permanecer, as palavras atuam por conta da organização dominante de nossa sociedade. E já que o poder utiliza-se de sua própria linguagem, acaba por nos condenar a impotência.
A linguagem é o ponto primordial na luta pela emancipação humana. Para o poder não é uma forma de dominação que se junta a outra, mas sim o epicentro do sistema mercantil que mantém a submissão dos escravos.
É através da reapropriação da linguagem, e portanto, da comunicação real das pessoas que surge novamente a possibilidade de uma mudaça radical. E nesse sentido é que o projeto revolucionário converge com o projeto poético.
Na efervescência popular, a palavra falada é reaprendida e reinventada por grandes grupos e a espontainedade criativa está em cada um e une a todos.
Não obstante, os escravos modernos ainda sentem-se cidadãos. Acreditam que votar é decidir livremente quem conduzirá seus assuntos como se ainda pudessem escolher.
Mas quando se trata de decidir entre a sociedade em que querem viver, eles acreditam que exista uma fundamental divergência entre a social-democracia e a direita nacionalista na França, entre os democratas e republicanos nos EUA, ou entre os liberais ou conservadores na Colômbia. A verdade é que não existe nenhuma oposição, visto que todos esses partidos estão de acordo no essencial: que é a conservação da presente sociedade do sistema mercantil.
Nenhum dos partidos políticos que possam ter acesso ao poder põem em questão o dogma do Mercado. E são esses mesmos partidos, que com a cumplicidade de mídia se camuflam nas telas. Brigam por pequenos detalhes com o intuito de que tudo continue como sempre esteve. Disputam para saber quem ocupará os postos que o Parlamento Mercantil lhes oferece.
Essas pobres crenças são difundidas por todos os meios de comunicação com a finalidade de ocultar um verdadeiro debate:a escolha da sociedade em que queremos viver. A aparência e a futilidade se sobressaem sobre o efrentamento das idéias. Tudo isso não se assemelha em nada, nem de longe, com uma sociedade democrática.
A democracia real se define em primeiro lugar, antes de tudo, pela participação massiva dos cidadãos na gestão dos assuntos da cidade. É DIRETA e PARTICIPATIVA. Sua expressão mais autêntica, encontra-se na Assembléia Popular e no diálogo permanente da organização da vida cotidiana em comum.
A forma representativa e parlamentar, que usurpa o nome de democracia, limita o poder dos cidadãos ao simples direito de votar. Ou seja: a nada. Escolher entre cinza claro ou cinza escuro não é decisão alguma. As cadeiras parlamentares são ocupadas em sua imensa maioria pela classe economicamente dominante, seja da direita ou da pretensa esquerda social-democrata.
O poder não há de ser conquistado, mas sim há que ser destruído. Ele é tirano por natureza, seja exercido por um rei, um ditador ou um presidente eleito. A única diferença no caso da democracia parlamentar é que os escravos tem a ilusão de escolher, eles próprios, os mestres que deverão servir. O voto os fizeram cúmplices da própria tirania que os oprime.
Eles não são escravos porque existem mestres, mas sim, os mestres existem porque eles escolheram manterem-se escravos.

O sistema dominante se define pela onipresença de sua ideologia mercantil. Ocupa de vez todos os espaços e setores da vida. Não declaram nada mais que a necessidade de produzir, vender, consumir e acumular.
Reduziu todas as relações humanas a medíocres relações mercantis, e consideram o nosso planeta como uma simples mercadoria. A função que nos designam é o trabalho servil. O único direito que se reconhece, é o direito da propriedade privada. O único Deus que cultuam é o dinheiro.
O monopólio da aparência é total: somente aparecem os homens e os dicursos favoráveis à ideologia dominante. A crítica deste mundo se afoga no mar midiático que determina o que está bem ou o que está mal; o que se pode ver e o que não se pode ver.
A "Onipresença da Ideologia", o "Culto ao Dinheiro", o "Monopólio da Aparência", o "Partido Único" disfarçado de pluralismo parlamentar, ausência de uma oposição visível reprimida de todas as formas, programa de transformação do homem e do mundo.
São essas as verdadeiras facetas do totalitarismo moderno que eles chamam de democracia liberal. Mas que é mais que tarde em chamar por seu verdadeiro nome: Sistema Totalitário Mercantil.
O homem, a sociedade e todo o nosso planeta estão a serviço desta ideologia. O Sistema Totalitário Mercantil conseguiu o que nenhum outro totalitarismo havia conseguido: ocupar cada resquício de nosso planeta.
Hoje em dia, nenhuma forma de exílio é possível.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Street Wedding - Que invenção é essa ?

Esses dias passei mal em meu serviço, saí mais cedo, fui a um pronto socorro, mediquei e tinha que repousar.. A acontece que como venho de fretado, e não quis ter que pegar ônibus por 2 horas para poder chegar ao terminal tietê para depois vir para Campinas. iria demorar umas 4 horas. Então decidi pegar um hotel. Os comerciais (Ibis, Mercury, Formula 1, estavam todos lotados, então apelei, peguei um motel a beira da Castelo Branco e por alí fiquei até as 17:30 que era a hora que passaria o fretado na Castelo Branco.

Muito bem. Num quarto de motel, com dores, os canais pornôs serviam de instrumento de disuasão, pois tentava me concetrar no filme para ver se esquecia a dor. Dormi um pouco e acordei lá pelas 2 da tarde. Na TV fui para os canais normais e parei em um canal que não me lembro qual era, mostrava o making off de uma noiva que estava sendo maquiada, e como eu estava em um motel à beira da Castelo Branco, o barulho da estrada não me deixava ouvir a TV direito, e tampouco queria ouví-la.

Como sofro graves sintomas devido a minha Reclusão Doutrinária(a falta de TV), demorei a perceber do que se tratava aquilo.

De início pensei que se tratava de um casamento de verdade, com uma noiva de verdade, quero dizer que iria se casar naquele dia, e que fosse de alguém no mínimo pouco conhecida. A mulher era muito bonita, estilo loira apresentadora de TV, então acabei pensando isso.

Quando eles saem do "estúdio", penso que irão naturalmente a igreja, realizar todos os rituais litúrgicos da cerimônia, todas as devidas formalidades e protocolos, depois festa, bolo e tudo que eles têm direito. Mas não, vejo que eles saem para a rua, os noivos e toda a equipe desde gravação, fotografia e maquiagem.

Meio letárgico por causa da medicação, sem ouvir nada direito, quando vi aquilo pensei: "Ahh tá.. é só uma sessão de fotos".

E como estava meio que desconcentrado entre o limite do sono e dor me veio uma suposição muito peculiar: "É isso mesmo!! Ela deve ser uma apresentadora de TV e está apenas fazendo fotos como noiva.. sei lá.. pode ser".

As fotos eram muito bonitas. Um trabalho excelente e profissional muito semelhante a um anúncio de grande qualidade em revistas femininas. Verdadeiras obras-primas.

Foto a foto, os noivos e a equipe rodaram toda a cidade batiam fotos nos locais mais inusitados e imprevisíveis, sobre as mais adversas circunstâncias.

O programa me pareceu muito interessante, porque eu pensava que estava assistindo um making off de um anúncio de perfume francês ou de uma griffe que fosse circular em uma revista de grande porte (supus pela qualidade das fotos), e confesso que era muito legal de se assistir.

Somente nas últimas fotos, quando aparece uma criança filho de um dos noivos, ou talvez deles mesmos, quando a noiva da uma entrevista e fala da vida dela e tudo o mais e que foi caindo a ficha. E ao final do programa quando o fotógrafo fala sobre Street Wedding, cursos, etc, percebi que aquilo era uma espécie de "book" só que na "rua".

De momento fiquei muito confuso.

No album de casamento de meus pais deve ter duas ou três fotos onde eles realmente pousam para uma foto, todas as outras fotos são apenas fotos ocasionais da cerimônia, das entradas, dos protocolos, da festa, dos padrinhos e tudo o mais. Não existem momentos "fakes". Hoje nos casamentos que vejo, os noivos praticamente têm que perder algumas horas apenas para bater fotos, em "cenários" e com poses que não são condizem com a real situação do momento, ou seja, sorrisos, olhares, abraços e beijos, nada é espontâneo, e talvez nem mesmo a vontade do casal de estar ali. Tudo é "fabricado" para compor a fotografia.

Com certeza o dia será lembrado até a morte, talvez não em detalhes. Mas o que realmente não consigo compreender, é qual a finalidade dessas fotos ? Na verdade, a pergunta é: O que essas fotos devem fazer o casal sentir ?

Porque eu não vejo sentido em bater uma foto com a pessoa que amo em um lugar que nunca estive, ou estaria em uma situação comum. E tampouco acredito que todo este trabalho (e de fato é um trabalho como o feitos com modelos profissionais) proporcione algum momento especial que seja realmente duradouro para o resto da vida do casal. No momento, ali, talvez a única coisa especial seja a sensação de saber como é a vida de um modelo fotográfico. Se normalmente os casais tendem a terem os melhores momentos quando estão sozinhos (não falo de um local sem ninguém), como será possível numa correria daquelas eternizar algo ?

No programa havia uma sequencia onde o casal batia fotos a beira de uma ponte na Sé em Sampa. No momento me perguntei: será que este casal alguma vez parou por ali a pé e ficaram a beira da ponte abraçados olhando a avenida que passa abaixo, trocando olhares, se abraçando, se amando ? Pelo estilo do casal, eu duvido que a praça da Sé seja um local romântico pelo qual eles optariam a passar um dia se namorando.

Fotos em edifícios velhos em ruínas, enfim, em locais que não há como dizer que são os preferidos dos casais. Alguns podem até ser, mas não todos.

Fotos a beira da estrada, no meio da rua como se estivessem correndo e se arriscando. Mas claro ! Não podemos esquecer da equipe segurando o transito atrás.

Para que isso ?

Enfim, fiquei tentando analisar o que o casal esperava sentir daqui 15 anos ao olhar todos aqueles "falsos" momentos. Será que a minha velha foto com máquina de filme ou digital, com flashão na cara, não vale mais nada ? Até isso estão tentando rebaixar ?

Bom. Da parte que me toca resta apenas o lamento. O que dizer ? Até o rito do casamento se deteriorou: era para ser algo simples, um rito, uma cerimônia de união e uma comemoração. Mas não! Inputam na cabeça das pessoas que rito, cerimônia e festas para serem completas, precisam de tudo isso. Geram frustrações naqueles que não têm condições, e até naqueles que têm, pois como sabemos vendem ilusões. Não serão a cerimônia, ou festa ou uma sessão de fotos que consolidarão uma união de verdade, mas sim os laços já existentes.

Para se casar meu avô vendeu a bicicleta para comprar o terno. Ficou casado por 49 anos até minha avó falecer.


Sds

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dinheiro

Quanto maior é a fortuna, maior é a escravidão” Sêneca

Tenha em mente que: nenhuma lei ou regulação surge do nada, sem motivo ou mesmo sem um precedente histórico.
Para se entender o profundo mal que atormenta a humanidade, acredito pessoalmente que antes, deve se olhar para o dinheiro sob uma outra ótica.
Nos livros de história, nas tendências, e mesmo o “estabelishment”, o dinheiro é tratado com um certo eufemismo.
Nos disseram que sua origem veio pela necessidade de troca, para facilitar os negócios, entre outros benefícios para o homem de bem.
Como eu disse, para o homem de bem, porque como diz o famoso economista liberal Milton Freedman: “para todas as coisas, existe um grupo de interesse”. E é aí que entram os homens maus.
Talvez a menção mais antiga que se tenha do dinheiro (como conhecemos) seja das tribos da Judéia que, onde nos templos eram feitos os comércios, onde se vendiam os animais e outros itens para sacrifício.
No entanto, na região da China, o primeiro imperador que unificou as tribos chinesas formando o primeiro império chinês, Qin Shihuang (da Dinastia Qim) tinha uma visão bem interessante do dinheiro.
O maior benefício do dinheiro não está em sua utilidade (a troca), mas sim na sua mobilidade e liquidez (valor real). Entretanto, o dinheiro só pode existir sob uma premissa: a fé.
Na antiguidade, grandes riquezas requeriam grandes responsabilidades. Terras são bens imóveis, não se pode desloca-las; poderiam ser tomadas, e quanto mais terras se tinha, mais o dono teria que vigiá-las; “comodites”, em geral, eram todos perecíveis, ocupavam muito espaço e precisavam ser bem guardados; e os metais preciosos eram mais vistos como símbolo de nobreza do que riqueza (somente depois que passou a ser usada como moeda teve valor entre os “escravos”). Ou seja, sem o dinheiro, a riqueza de um homem era limitada até onde ele poderia exercer o domínio sobre o mesmo, necessitando de ajuda de outros homens.
Agora pense.. Não é justo dizer que em circunstâncias onde até então as grandes riquezas eram perecíveis e imóveis, o dinheiro surgiu como um Messias ? Oras, o dinheiro “externaliza” a responsabilidade do domínio permitindo um acúmulo de riqueza nunca antes possível.
E foi com esse pensamento que o imperador Qin, aqui conhecido como Chin, criou o dinheiro chinês. Não só o dinheiro, como também criou padrões e unidades de medidas universais no império, que teriam que serem adotados por todas as províncias.
Somente com a invenção do dinheiro se pode emergir grandes reis e nações, pois com a riqueza centralizada, já que o rei era o emissor do dinheiro, onde todos em seu território o aceitam, seu poder hegemônico passa a ser ilimitado e impenetrável.
Não há dúvidas que o dinheiro é útil para todos. Mas sem dúvida ele foi muito mais útil aos ricos do que aos pobres.

Sds

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PNDH e a censura..


Aos caros jornalistas da direita de todo o país, tenho apenas um voto a vocês:
PARABÉNS !!!
Vocês conseguiram !! E o mérito foi todo de vocês e de mais ninguém !!!

Eu costumo dizer que tirar um direito do ser humano é mais fácil que tirar doce de criança e isso vou demonstrar aqui mesmo.
Digamos que eu seja um Rei, que queira permanecer no poder e tirar o máximo de proveito que ele pode me proporcionar, e que precise de uma maneira de calar a imprensa, que certamente, poderão ser meus futuros adversários.
Como sou um Rei, e sou educado para ser Rei, tive que tomar posse do conhecimento necessário para exercer tal tarefa, logo estudei filosofia, ciências-políticas e muita história.
Em primeiro eu me utilizaria de 3 métodos: O Dualismo de Zaratustra (ou Zoroastro), a Dialética Hegeliana e talvez, a Teoria do Choque de Milton Friedman.

O Dualismo resumidamente consiste em dividir grupos ideologicamente divergentes nos singulares contextos de bem e mal. Não existe um porquê, "ou vc está do nosso lado ou contra nós". Isto irá dividir a sociedade basicamente em 2 grupos quando a questão for comum. Mas o importante é que, seja qual for o lado que eu for apoiar, só terei 2 lados a escolher, e portanto um lado para "agradar" e não vários grupos.

A Dialética Hegeliana, de G.W. Friedrich Hegel assume que a realidade humana - seus preceitos, crenças e verdades - são relativas ao tempo e espaço e são subjetivas de acordo com o tempo e contexto. Ou seja, o ser humano classifica a verdade, o certo e o errado, de acordo com a causa e consequência. E quanto mais "científica" e organizada (não necessariamente racional) for uma sociedade mais eficiente este método se torna. Em tempo, tenho uma sociedade guiada pela consequência, pois quando guiados por explicações racionais de forma passiva sem a religião ou educação para moderar-nos, nossa conduta estará diretamente relacionada com nosso conhecimento, e enquanto ignorantes, iremos conduzir-nos até o limite de qualquer coisa sem a devida moderação e quando formos tomar uma atitude, ela será radical.
Portanto, adequando ao meu objetivo (que é censurar a imprensa) eu simplesmente afrouxaria a imprensa. Deixaria ela expôr toda e qualquer notícia sensacionalista, a insentaria de qualquer responsabilidade de provar qualquer coisa ou de retratar-se com a devida compensação , deixaria ela criar factóides sem punir ninguém, não questionaria suas omissões, enfim, deixaria ela ter "poder" e achar que ela está supostamente no poder, mas ainda sim, quem lhe concede o direito de transmitir sou eu. Com o tempo, a imprensa se sentirá absoluta, irá mentir e omitir descaradamente, manipular a notícia e até ganhar com ela.

Neste momento entro com a Teoria do Choque. A teoria do choque de Milton Friedman diz que a sociedade, assim como um preso, fica mais suscetível a influência de seu carrasco(governo) se ele estiver em estado de choque, e que se deve aproveitar o máximo este período para tirar o máximo proveito do "atormentado". Milton Friedman vai mais além: ele diz categoricamente que é quando um país sofre um grande evento "cataclísmico", seja social, ambiental ou econômico, é que se deve aproveitar essa fragilidade (a busca por uma solução ao problema, um messias) para impor toda a lei que antes não era possível.
É então que eu começarei a expor de forma massiva o quão mentiroso (ou pelo menos inconsequentes) são esses homens, irei promover alguma forma alternativa que permita transmitir informação sem depender destes homens (posso investir em internet, criar programas para facilitar a compra de computadores pelos pobres e darem-lhes acesso a "minha voz"). Enfim, o objetivo será "chocar" a sociedade mostrando-a o quanto ela é e foi enganada por este homens a quem acreditavam estarem lhes falando a verdade.

Pronto.. Já tenho uma sociedade pedindo por leis que lhes tirem mais um direito... Tudo porque ela mesmo não soube se moderar quando tinha liberdade.

ahhh sim.. Depois eu terei que censurar a internet também...

Mas para isso eu tenho uma palavrinha mágica: pedofilia.

Sds.




sábado, 23 de outubro de 2010

A Tragédia do Mercado Corporativo.


Tenho 16 anos de experiência profissional, dos quais 8, somente no mercado corporativo. Sou analista de sistemas e comecei como programador aos 16 anos anos de idade ganhando R$ 54,00/mes (O salário mínimo de 1995). Comecei em escritório pequeno, tipo em um negócio de família ou de um homem só, de um judeu chamado Alexandre. Na época éramos ele, a noiva e eu, e desenvolvíamos softwares em Clipper para diversos fins. A última vez que tive notícia dele, em 2007, ouvi dizer que a empresa dele estava faturando 4 milhões mês e estava com uns 40 funcionários. Admito que ele merece: Trabalhava bem, era corajoso (contratou um moleque de 16 anos para ser o principal programador clipper) e sabia fazer negócio.
Não nego que se tivesse ficado, talvez eu teria mais sorte. Não sei ! Mas não me questiono ou lamento por isso. Hoje minha vasta experiência profissional se deve justamente ao fato de eu ter trabalhado em diversas empresas e ramos de negócio nesses 15 anos, e sempre desenvolvendo softwares. Mas se existe algo que as vezes penso "como poderia ter sido" é se tivesse investido em um negócio próprio. O que também não fico me arrependendo porque sei que eu não teria a experiência para atender o mercado corporativo (onde está o $$$), e que hoje só tenho porque estive os últimos 8 anos dentro dele e sei como funciona.
O que me leva a esses devaneios hipotéticos é justamente a posição que me encontro hoje como um funcionário(vulgo colaborador) do mercado corporativo.
Se você for uma pessoa que não sabe se escolhe entre funcionalismo e mercado corporativo, aqui vai minha opinião: Que bom seria se houvesse os grandes desafios do mercado corporativo e as remunerações e plano de carreira do funcionalismo. Acho que já defini a diferença clara entre ambos, e obviamente que em ambos os casos, há exceções.
Em primeiro, refiro-me, a uma empresa corporativa, qualquer empresa que tenha seu capital aberto, ou que seus acionistas sejam compostos por empresas de capital-aberto, que exatamente por isso, devem seguir certas metodologias, certificações e protocolos para que os acionistas tenham a maior visibilidade e controle da empresa possível mesmo não estando presente.
A tragédia que ocorre hoje no mercado corporativo é que justamente por serem empresas de capital aberto com ações disponíveis para qualquer investidor comprar, os fundamentos da empresa acabam que por se desvirtuarem totalmente. Os parâmetros passam a ser outros: em primeiro que os donos da empresa não são empresários que desejam ter uma base segura de onde tirarem suas rendas para sustento seu e de sua família, mas sim investidores, cujo o único objetivo é ter um retorno no menor tempo possível. Nestas circunstâncias, uma empresa não é dirigida para ser sólida mas sim rentável. A solidez passa a ser superficial e apenas suficiente.
Você, cidadão médio quando pensa em criar uma empresa sua, você não pensa como um investidor. Você imagina sua empresa, como são seus escritórios, como são seus clientes, você se projeta daqui há 20 anos, com uma grande rede, etc, etc.. Um investidor não.
Ele pensa diferente. Ele não quer saber como é o escritório. Ele não quer saber quem são os funcionários, ou mesmo os clientes. Ele apenas projeta o lucro dele daqui há alguns meses (e ele imagina isso visualizando um numero no monitor de computador). Para um investidor, quando o lucro diminui, isso significa prejuízo. Ou seja, o mesmo que você tem quando pensa em onde investir seu dinheiro.
No fim, o efeito em cadeia da hierarquia das ordens é inevitável, os parâmetros passam a ser em criar meios de garantir o compromisso em manter esses "papéis rentáveis" e não mais de garantir a existência a longo prazo da empresa. E assim, grandes empresas surgem da noite para o dia e são tratadas como ambulantes de praia em época de temporada. O importante é o Custo X Rendimento/Tempo. E quem se dispor a comprar por um bom preço, vende-se na hora. E se tiver que falir, fali.
Isso me faz lembrar meu penúltimo emprego, onde a empresa estava sendo vendida, e gente que estava lá há mais de 8 anos (alguns com 15 anos) e ocupavam cargos de confiança, foram mandados embora porque toda a hierarquia iria mudar. Penso eu quantas propostas essas pessoas haviam hesitado para investir suas carreiras na empresa e agora são deixadas com a gratidão inversamente proporcional que um dia ele concedeu.
Há 40 anos atrás. Um cidadão entrava office-boy em um Banco do Brasil, ou IBM, ou Bosch, ou Clark, e poderia aposentar diretor. Os cargos eram graduais, os funcionários subiam, conheciam todos os setores da empresa ( e o melhor: como era a vida pessoal de todos os subordinados e suas dificuldades), todos os processos, conhecia a empresa como se fosse dele. Hoje se você entra office-boy, você termina como office-boy sênior. Não há mobilidade, isso porque exatamente a empresa tem que obedecer as normas e certificações para poder negociar seus papéis na bolsa, e portanto devem ter seus cargos preenchidos por pessoas devidamente certificadas.
E quando se trata de cargo de comando, a coisa é ainda pior. Em alguns casos o nepotismo é descarado: ao primeiro lucro "ampliam" a empresa, criam cargos, chamam amigos de faculdade ou outro serviço pagando exorbitâncias, enquanto o peão que está lá há anos espera por uma chance de promoção. Isso tanto já aconteceu comigo que já me fez um dia dizer, quando um diretor falou que o governo era corrupto, que eles não podiam reclamar porque que eles faziam a mesma coisa, e se tivessem a chance, fariam pior.
Ou ainda, para se ter um cargo de comando, não é mais preciso conhecer bem a empresa e o negócio, ter bom relacionamento, ou se comunicar bem. Mas sim ser formado em alguma metodologia, ou ter pós na FGV, em gestão seja ela qual for, pois o importante é dar visibilidade e controle a seus superiores.
Quer uma tragédia ainda pior ? Cuidado se você for muito bom no que faz, pois o risco de você permanecer no seu cargo por tempo indeterminado é ainda maior. Um conhecido meu, de fumódromo de prédio, que trabalhava para uma multinacional de embalagens não foi promovido a diretor porque ele era o único que sabia fazer conversão de contas de balancete e balanço do Brasil para os EUA. Ou mesmo quando um gerente me disse, quando questionado do porquê uma vaga não estava sendo anunciada internamente, que não teria como fazer mobilidade porque não tinha ninguém para substituir-nos. Que tragédia ! Éramos capazes, estávamos lá há mais tempo, merecíamos essa promoção, mas por interesses da empresa, eles preferiram contratar gente nova, para ganhar mais do que nós. Foi neste momento que desisti dessa empresa e percebi que dedicar-me a ela era inútil. Um mês depois pedi demissão, depois de 4 anos.
Até hoje competência nunca me atrapalhou, mas também nunca me fez ganhar mais. Se me fez ganhar algo, foi apenas mais trabalho. Mesmo porque, ninguém reconhece meu trabalho até dia que me contratarem, já que nem sequer existe certificação para o tipo de trabalho que faço, e portanto, a única coisa que me garante aumento é procurar outra proposta e pedir demissão. São raras as empresas que realmente oferecem planos de carreira, e as que oferecem, criam um monte de variações de níveis com pequenos aumentos para poder ir "fragmentando" a ascenção salarial do sujeito, mantê-lo motivado, para só ir ganhar bem depois de 6 anos de empresa.
Os métodos admissionais são mais humilhantes ainda: dinâmicas de grupo, testes de Warteg, Grafologias, invasão de privacidade (orkut), e agora ouvi dizer que querem até cadeia para quem mentir no curriculum ou entrevista (só queria saber se a empresa será também punida quando mente com relação aos benefícios ou crescimento do funcionário na empresa). Pedem-nos referências, ficha criminal, etc.. Tratam-nos como um produto especificado e dentro das normas padrão como se fôssemos recém-fabricados. Mas nem sequer nos dão uma referência de um ex-funcionário, ou nos mostram seu balancete ou quantos processos trabalhistas tem nas costas.
Aqueles que são seduzidos por este mundo pagam caro. São atraídos pela aparente estabilidade, a alta liquidez de rendimentos (pois os salários são mais altos porém os benefícios menores) e a falsa perspectiva de ascenção e quando conseguem o primeiro bom cargo se atolam em compromissos. Casam, fazem financiamento de carros, automóveis, ou então simplesmente adequam sua vida ao padrão de vida que seu salário pode proporcionar e quando menos percebem estão totalmente dependentes de seu emprego e se vêem obrigados a suportar todo o tipo de humilhação e abuso, como até mesmo o pior deles, que é trabalhar de graça (não cobrar por hora extra). Com todos esses compromissos são menores as chances de arriscar novas oportunidades, são mais motivos para recusar um emprego melhor em outro lugar. Mas enfim, são trocas.
Para sobreviver neste mundo cão, tenho meus meios. E reconheço que por ser solteiro, isso é totalmente possível no meu caso. O primeiro deles é gastar no máximo 2/3 do que ganho e guardar o resto. Na pior das possibilidades, tenho que trabalhar 2 meses para viver 1, e isso irá me garantir a "independência" em caso de um possível abuso ou embate. Segundo, não faço financiamento(e evito querer coisas que precisem serem financiadas). Terceiro, visto a minha camisa, não a da empresa. Faço o MEU trabalho divinamente e tento aparecer o máximo possível para sair de portas abertas. Quarto, se você trabalha com projetos como eu, se dê ao luxo de permanecer no máximo 2 anos em uma empresa, isso não irá entediá-lo (pois toda a empresa entedia e é nesse momento que começamos a ficar "reclamões") , e você estará com o conhecimento sempre renovado (lembre-se que nunca sabemos tudo).

Mas é isso.
Essa é a tragédia do mercado corporativo. É esse tipo de vida, que desde a infância, as cartilhas escolares, as telenovelas, os filmes, as "revistas especializadas", e todo o tipo de "poder" nos pregam como independência, autonomia e liberdade, mas não passa de uma nova forma de escravidão consensual.

Sds.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Moda

Hoje tenho 32 anos. Confesso abestalhado que fico surpreso a cada ano que passa ao ver como as pessoas são voláteis. Me refiro mesmo a suas opiniões.
Tenho um amigo de infância que quando tinhamos nossos 18 anos e frequentávamos as baladas, o cara que tinha o peito peludo, fazia questão de ir com a camisa com os 2 ultimos botões soltos só para mostrar o peito cabeludo, e ainda caçoava de nós nos chamando de bexiga porque não tínhamos o peito peludo. E essa ano, quando o vi sem camisa em um churrasco, percebi que ele estava todo depilado. E não, ele nem sequer pratica esportes.
Sintomas da moda.
Muitos podem argumentar que não há problema algum em ser vaidoso. Até concordo: não tenho nada contra em esconder um defeitinho ou querer realçar um atributo. Agora, não vejo sentido em mudar algo pensando que estarei melhor a vista dos outros sabendo que é só pela preferência dos outros.
Outro tipo de modismo é o de comportamento. As divisões de grupos e esteriotipos: Rockeiros, Hippies, Skatistas, Emo, Clubber, etc, etc e etc.. Sem falar das mudanças de valores, como hedonismo e libertinagem.
Nietzche costumava dizer que não existe inferioridade maior do que alguém querer igualar-se aos outros. Anular a si mesmo, diminuindo suas preferências só para agradar a outros e ser aceito representa a maior demonstração de complexo de inferioridade que um ser humano possa ter.
Eu concordo plenamente. E não é uma questão de orgulho ou superioridade, mas sim de respeito e auto-estimas próprias.
Um anúncio ou reportagem de televisão que diz que a pessoa tem auto-estima porque é vaidosa e segue uma moda ou comportamento é no mínimo contraditório. Pessoas que tem auto-estima não seguem moda porque não precisam agradar ninguém senão a si mesmas. E aquele que para agradar a si mesmo, precisa ouvir dos outros o quanto está agradável, também são pessoas com baixa-estima.
E pelo amor de Deus !!! não estou falando de eremitas de roupa suja ou mau cheirosa, nem de barba por fazer (que ora ou outra é moda.. mas vai entender), unhas sujas, etc..
É realmente intrigante este argumento da auto-estima. Justamente porque um outro "fator podre" da moda que pelo menos é bem visível para mim, é sua clara intenção de constantemente tentar nos rebaixar. Sempre nos colocando como obsoletos, antiquados e com baixa-estima justamente porque o que fazemos hoje (que eles nos disseram para fazer) já não é mais o que devemos fazer. Não faz o menor sentido em dar valor a mudar para ter que mudar de novo simplesmente por mudar.

Todas as mudanças têm um porquê. E as que menos têm sentido são as que mais devemos temer.

Gostaria de ser incisivo ao afirmar que sociedade deve ter muito cuidado com os modismos. As pessoas subestimam o poder de influência que tais comportamentos tem sobre a sociedade. Não vou me lembrar agora que filósofo grego que afirmou (mas fico de procurar e postar nos comentarios). Mas ele dizia que é a partir da moda que uma sociedade caminha para a ruína, porque afeta diretamente as relações familiares. A moda apenas influência aos jovens, que não tem suas opiniões e convicções formadas e de modo desastroso coloca os filhos "contra" seus pais, pois os filhos acreditam que o que fazem é melhor do que os pais faziam.
O maior impacto que os modismos geram na família estão nos vínculos. Os vínculos familiares se estabelecem de forma diretamente proporcional entre pais e filhos de acordo com a similaridade (aparência, comportamento, profissão, preferências, etc). Hoje pode parecer normal, pois já sofremos a consequencia, mas há 60 anos atrás, os filhos costumavam se vestir como os pais, seguir a profissão dos pais, ter a preferência dos pais, etc. E não porque eram obrigados à força, mas porque seus pais eram sua maior influência (já que não se perdia tanto tempo com tv, mídia, propaganda, etc..)
Quando se estabelece na cabeça dos filhos, preferências e opiniões diferentes das dos pais, está se desvinculando a criança da identidade familiar. Em outras palavras, está se enfraquecendo a família. As consequências são desastrosas: um filho que não gosta do que seus pais gostam, irá conviver menos com eles nos bom momentos, gerando novas preferências, que geram mais separação. E essa divergência de opiniões e preferências pode chegar a um nível tão contrastante, com a perda de toda a influência da família, ao ponto de um filho se envergonhar de alguma forma dos próprios pais.
Lembrem-se novamente. O Estado descende da Família. Desconstrua a família e desconstruirá o Estado.

Sds

sábado, 7 de agosto de 2010

Xenofobia distorcida...

Após escrever o tópico anterior e ter mencionado sobre os pontos do partido nazista, inevitavelmente me veio a cabeça alguns pensamentos acerca daqueles acontecimentos que me levaram a tentar fundamentar o porque da origem daquelas idéias, e falo da nacionalismo extremista alemão que imperou no 3º Reich.
Mas para entender exatamente os motivos que alimentaram o nacionalismo, não só na Alemanha, mas em todos os povos que durante a história se levantaram em busca da auto-determinação devemos fazer uma pequena analogia.
A analogia da Família. Sim, novamente !! Pois realmente, o melhor micro modelo (se é que posso chamar assim) para o Estado, é a família, já que como disse anteriormente, é quem constrói o Estado.
Pois bem !! Imagine que hipoteticamente uma família com uns 15 membros chegou de longe, receberam uma porção de terra para cultivar e morar, e por lá se instalaram.
A terra só era fértil em determinada época do ano, e assim se adaptaram: como o terreno era ideal para o cultivo de batatas, desenvolveram sua culinária em torno deste legume. A vegetação da região era repleta de bambus, e a partir dela criaram seus abrigos e utensílios. Era uma região delicada de se morar, mas sabendo de seus ciclos e habituando-se a eles, a vida era facilmente adaptável.
Quando havia épocas de ambundância, estocavam seus alimentos, e quando não tinham mais como estocar, paravam a produção e consumiam o excedente em festas e banquetes familiares, que quase sempre coincidiam na mesma época do ano. E da mesma forma, em épocas de escassez a vida era mais rígida, a família abdicava das práticas hedonistas para evitar o consumo excessivo em períodos naturais de escassez.
A água era pouca, e suas fontes dependiam demais das condições do solo de todo o terreno. O plantio, os rodízios, a extração do bambu, tudo tinha que ser feito com extrema disciplina, qualquer desbalanço no solo gerava sua perda de humidade, causando rachaduras e drenando toda a água que alimentaria a fonte.
Com o passar do tempo, técnicas de plantio foram criadas para maximizar a produção. E assim essa família foi crescendo, se distribuindo em pequenas casas dentro do terreno, separando-os do patriarca, mas ainda sim os hábitos familiares são muitos semelhantes, já que todos foram criados praticamente da mesma maneira.
Como toda a região era semelhante, e com graves problemas de escassez, seus vizinhos que tinham uma família maior e cujo o terreno não lhes era suficiente, passavam a cobiçar o terreno dos outros. E lá estava a família do terreno defendendo cada metro de terra que lhes competia.
Com o passar dos anos isso foi trazendo muitas infelicidades para essa família que durante todas essas batalhas perdeu muitos de seus membros. Com vista a necessidade, a família também começou a educar seus descendentes na arte da guerra, e como essa guerra tinha o objetivo a defesa do território, todas as armas passivas e ativas, técnicas persuasivas e disuasivas, eram criadas para a luta neste terreno. Mas os invasores não paravam de chegar, e de tempos em tempos grandes batalhas aconteciam.
Em um determinado período uma grande batalha dizimou grande parte dos homens do terreno, deixando muitas mulheres desamparadas. E como as mulheres nessa família não foram criadas para ter uma vida independente, o patriarca maior institui a poligamia, com o intuito de que os homens trouxessem as mulheres desamparadas para dentro de casa.
Ouve épocas em que o invasor era muito poderoso e essa terra foi invadida e ocupada, mas com o passar dos anos essa família, então feita de escrava e com o direito de culto de suas tradições proibido, manteve secretamente sua história, seu conhecimento, seus laços de identidade, embora tenha sido inevitável a "contaminação" com os hábitos de seu invasor, que introduziu a beterraba no plantio e utilizava o barro como principal matéria prima para infra-estrutura. Muitos dos hábitos dos invasores eram considerados diabólicos já que violavam fundamentalmente os costumes dessa família (como em épocas de ecassez, onde o invasor não abolia a pratica de festas ou banquetes).
E no momento mais crítico, que é sempre inevitável já que um invasor raramente conhece a terra de seu inimigo e usa os recursos sem sabedoria gerando a escassez que fomenta de forma definitiva a revolta de seus dominados, novamente com morte e sacrifício, essa família que cresceu enquanto escrava repeliu todos seus invasores enfraquecidos pela crise.
As coisas novamente se estabelecem como elas devem ser. A família, agora consumidora de batata com beterraba, e que usa barro e bambu em sua infra-estrutura se firma com um laço e identidade maiores ainda. Muitos dos conhecimentos foram perdidos pela proibição, pelo tempo e pela "contaminação". Como eles conseguiram conhecimento para o plantio em época de escassez de seus invasores, e com o terreno menos populado já que os invasores foram expulsos, a produção era quase constante, porém as comemorações e privações populares ainda foram mantidos.
A população de homens e mulheres se iguala, no entanto a poligamia ainda é mantida, já que poucos sequer hoje sabem porque ela surgiu e como todos convivem normalmente assim, não há porque abolir-la.
Com a prosperidade surgem os primeiros sentimentos de orgulhos e feitos. O conhecimento do uso sábio da terra por seu povo acaba sendo valorizado, e adulado, principalmente porque já foi provado que o uso incorreto não funciona. E com este orgulho familiar, em épocas de início de plantio ou colheita começaram a comemorar esses eventos. Passando a criar coreografias e alegorias (todas voltadas para a imitação do trabalho de plantio) que com o passar do tempo e a falta de necessidade (já que começaram a inventar instrumentos e usar animais no plantio) esses gestos que imitavam o trabalho de plantio foram incorporados como rituais na comemoração.
Com o tempo esse terreno (que já tinha aspectos de uma grande fazenda) começou a educar descendentes com a idéia de amor a terra, e do respeito por ela. Seus ancestrais passaram a ser vistos como patronos e pessoas essenciais para a existência da família tal como é na atualidade, e toda a educação dessa família se volta para o entendimento dela mesma e sua perpetuação.
Pois bem meus caros... Isso é um país.
E eu te pergunto. Quando você se hospeda na casa de outra família de favor, você exige que essa família mude seus hábitos para agradar a você, ou é você quem se adapta aos hábitos dessa família ? E mesmo que você pague a água que tu bebes, a comida que comes, o banheiro que usa, isso não lhe dá o direito de exigir nada, pois certamente na grande parte das vezes é essa família que está lhe fazendo o favor de lhe hospedar (pois ninguém sai da própria casa para ir a um lugar pior sem um motivo ainda pior), e quem bancou pela casa até o momento foi essa família que lhe recebe.
Então por que as pessoas acham que elas devem ter direitos em outros países ? Com que bases ou fundamentos, o cidadão do ocidente acha certo julgar outros povos e costumes ? Nós também crescemos sobre hábitos passados hierarquicamente durante gerações.
Qual é o problema de eu não querer um estrangeiro em meu país ? Meu país mal consegue abrigar com dignidade seus próprios cidadãos, então por que devo receber outros de braços abertos, e ainda lhe dar as melhores regalias ?
Se foram os ancestrais de nossos cidadãos que morreram e se sacrificaram para construir meu país, e muitas vezes lutando contra aqueles que hoje tentam entrar e se beneficiar de nossa riqueza, por que eu não tenho o direito de me manifestar contra ?
Os europeus,em parte, enxergam os imigrantes com a mesma ótica que expus esse texto: como invasores que estão acabando com suas riquezas, culturas, história e tradição. E se quiser minha opinião, eles tem o pleno direito.
O povo brasileiro sim que está burro. Burro a ponto de não raciocinar de acordo com seu próprio interesse. Quando ele sai daqui para ser acolhido em outro país, lhe dão o pior emprego, o tratam como sub-humano (pois o vêem como selvagem), tem uma série de privações com relação aos cidadãos conterrâneos, mas mesmo assim insistem em classificar esses lugares e pessoas como melhores. O brasileiro esquece que somente no Brasil é que ele será visto como um "semelhante" (pelo menos entre seu povo).
Quem acusa aquele que defende a preservação desses valores e tradições de Xenófobo, é o verdadeiro Xenófobo. Acabar com as culturas, massificando-as sob o pretexto de uma liberdade - diga-se de passagem uma falsa liberdade, que tem o voto (como se significasse liberdade), o trabalho remunerado (como se também significasse liberdade) e o hedonismo como principais valores - é o verdadeiro extermínio étnico dos povos que não se viu durante a história.
Não se mata um povo exterminando seus membros, mas sim acabando com sua história.
Sds.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Caos, o Dinheiro e o Estado.

Meu pai costumava dizer que o caos é muito lucrativo.
Oras !! Não existe aquela frase ? "Nos problemas devemos enxergar oportunidades"
Isso me remete a um dos itens dos 25 pontos do partido nazista, que dizia que qualquer lucro advindo da guerra deveria ser considerado como alta traição e seus autores deveriam sofrer a mais severa punição.
Mas será apenas a Guerra o caos ? Oras, epidemias, desastres naturais, ou qualquer evento que interfira no pleno funcionamento da ordem social vigente em larga escala pode ser considerado algo caótico. E quanto maior o problema, mais necessário, e consequentemente cara, é a solução
Numa outra contra-parte estão as empresas privadas. A "boa" empresa privada. Mas o que mais me impressiona no cidadão médio, é que ele acredita que uma empresa privada segue os mesmos valores humanos que ele segue. Ele realmente consegue enxergar uma empresa que possua como diretivas os valores éticos que ele possue: honestidade, hedoniedade, competência, interesse público, etc...
A questão é que uma empresa só sobrevive pelo lucro, portanto é apenas o lucro que ela vai buscar. Novamente, Schoppenhauer, que fala do ser humano, mas serve para uma empresa: alguém só vai faz algo de interesse alheio caso isso o beneficie direta ou indiretamente. Portanto, assim como o homem, qualquer coisa que uma empresa lhe proporcione, só está sendo feito porque a empresa busca o lucro, e não o cliente. O cliente é apenas o meio. Logo, para qualquer empresa privada que necessite de lucro para sobreviver, o interesse público é apenas um meio para seu objetivo principal, que é o lucro.
Esse é o debate fundamental entre a privatização e a estatização. São dois casos completamente distintos e com objetivos opostos.
E é nesse ponto que as coisas se confrontam:
Será que se uma empresa privada subexiste pelo lucro promovido por um problema, ela prestará um serviço cujo o objetivo final seja a erradicação do problema, ou será que ela apenas irá fazer o necessário para resolver o problema de forma isolada ? Principalmente porque o lucro é sempre diretamente proporcional ao tamanho do "problema".
E no contrário com uma empresa estatal ? Onde o dono teoricamente é o povo, através da máquina de estado que ele ajuda a manter, qual será o interesse ? Em uma empresa estatal modelo, sem dúvida o interesse passa a ser o público. Não existe empresa que é seu próprio cliente, e assim é uma empresa estatal (através do povo que compõe o estado). Portanto numa empresa estatal ideal seu objetivo não é o lucro, mas sim atender ao público, e de preferência resolver o problema da forma mais eficiente possível com o menor custo possível, pois quem está bancando é o próprio estado que é dono da empresa e quem está usufruindo do serviço também é o Estado, através do povo. E nessa premissa está o porquê de uma estatal não necessariamente precisa dar lucro. Pois caso esse seja o objetivo dela, ela não só intencionará que o "problema" aumente, como irá passar a retirar dinheiro do próprio estado (contribuinte).
A história demonstrou que as empresas estatais com serviços de má qualidade, não oferecem serviços de má qualidade por serem estatais, mas sim por possuírem má administração. Exemplos de empresas estatais que prestaram grandes serviços e concorreram e concorrem com gigantes: A inglesa British Telecom (a dos orelhoes vermelhos, privatizada em 1996); a Embraer no Brasil (hoje privatizada); o Porto de Paranaguá -PR- ( que por berço atende com mais eficiência do que o privado porto de Santos); Correios e Telégrafos do Brasil; todas as empresas de armamentos russas são estatais (e possuem máquinas e tecnologias espetaculares como Sukhois e Migs e os identificadores a laser, submarinos Thypoon, tanques T, etc), as 13 maiores empresas de petróleo do mundo são estatais.
O que é preciso para uma empresa Estatal dar certo não é se tornar privada, mas sim ter boa administração e um governo que faça o controle da empresa cumprir a tarefa que lhe foi delegada, e não tornar a empresa um cabide de empregos, como aconteceu em muitas empresas no Brasil.
No entanto, o problema não termina somente na administração.
Existe um obstáculo muito maior para o Estado transpor, obstáculo este que o torna tão frágil quanto nós mesmos, que é o dinheiro. Sim. O Estado precisa de dinheiro, pois por ser uma república não pode obrigar seu cidadão a trabalhar para ele.
O leitor, ao me ler argumentando dessa forma, pode estranhar eu achar "normal" um Estado Facista( e não se confundam, pois a principal definição do fascismo é que o cidadão é instrumento do estado, e não o inverso como na república). Mas me perdoem: não vejo diferença entre trabalhar diretamente para o Estado sem remuneração ou dar obrigatoriamente parte de minha renda para o Estado (impostos).
Mas enfim, não é este o foco, mas sim o fato de que o Estado pode depender também do caos para sua subexistência.
Costumo usar como exemplo os fumantes, que representam uma receita de aprox. 20 bilhões anuais somente em impostos (1/3 do orçamento da saúde em 2009). E com toda a certeza, desses 20 bilhões, nem 1/5 é usado para o tratamento de doenças proveniente do fumo pela rede pública de saúde. Normalmente quem cuida da saúde constantemente, é porque tem convênio particular.
E agora vem a questão. Será que há mesmo interesse por parte do Estado em erradicar o fumo no Brasil ? Ninguém mata sua galinha dos ovos de ouro.
E se um governo age assim, e ninguém me tira da cabeça que ele age dessa forma (ou seja, debaixo dessa matemática), o que pensar de uma empresa ?
Mas dentre todas, as empresas farmacêuticas são as que mais me dão medo e me levantam desconfiança. Afinal, não me entra na cabeça como uma empresa que vive da cura de doenças não tenha interessem em promover a disseminação das mesmas, ou ainda, não consigo ter a simples boa fé de que uma empresa farmacêutica busque uma cura definitiva para uma doença, mas somente seu tratamento. E o pior de tudo, não consigo acreditar que empresas farmacêuticas não promovam fortes lobbys para que tratamentos realmente eficientes que permitam a erradicação de determinada doença sejam sabotados ou interferidos.
Enfim, é uma questão de interesses tão simples, que talvez uma criança de 4 anos (com toda a sua espontaneidade) conseguiria entender melhor do que um adulto formado, mas não há segredo, senão que ninguém busca nada além do que seu próprio interesse.
Não devemos esperar nada das empresas senão a busca pelo lucro. Todo o resto não passa de pura propaganda.

Sds

terça-feira, 27 de julho de 2010

É proibido dar Palmadas

Até isso os "especialistas" quiseram transformar em lei.
Claro !!! Novamente consequência da ignorância generalizada. E do medo (novamente o medo) ! Pois o criador da lei defende que se a lei existisse talvez Isabela Nardoni teria sido salva dos pais antes (pois a agressão dos pais os teria lhes entregado antes).
Mas como determinar se tal lei realmente traz benefício na formação do indivíduo ? E além disso, o que considerar benéfico ou maléfico na formação de um indivíduo ?
Bom, quando eu era pequeno, o que eu tinha mais medo era do "fio de ferro" de meu avô. Era simples. Ele pegava um fio de cobre de chuveiro (esses de 3mm), o torcia em um par e fazia uma espécie de varinha de uns 40cm de comprimento. Era fantástico, bastava uma varetada na bunda, e o fato jamais se repetia. Já meu pai usava a cinta, e minha mãe as mãos. Posso dizer que já tive muita perna zebrada, e vergões na bunda.
Em primeiro. Em todas as ocasiões que apanhei foi porque mereci, em todas as ocasiões eu sabia que estava fazendo algo indevido ou proibido, e já tinham me repreendido verbalmente , ou mesmo com castigo antes. Mas, quando a reinação era melhor do que a privação do castigo, como por exemplo, abrir o armário de doces de meu avô (que ele comprava para dar para TODOS os netos nas reuniões de domingo) e desprezar a mesada (que dava pra comprar menos doces do que eu e meu irmão "roubávamos"), nestes casos só a punição pela dor resolvia, pois o castigo era pior do que a peripécia.
Nunca deixei de gostar deles por isso, ou nunca os condenei por isso, afinal eles eram e são meus pais: minhas únicas referências, e por conseguinte a forma certa (na minha opinião) de se criar um indivíduo.
Não tenho dúvidas de que essa lei tem como objetivo interferir diretamente nas bases da família e na formação da criança de forma negativa. Querem dizer que o certo é castigar sem agressão física, mas eu acredito que pais que passam 10 horas fora de casa para trabalhar (das 16 horas uteis), não irão ter tempo de cumprir o castigo nos filhos, como era o caso de meus pais. A solução será os pais de hoje contratarem "empregada doméstica" para cumprir papel de carrasco, ou então "viciar" o filho em algo só para poder privá-lo e castigá-lo.
Com a dor física é tudo muito simples: A criança sente a dor, não espera por aquilo novamente e portanto não repete.
Alguém acha absurdo ? Oras, o Estado não é uma extensão da família ? Lembram-se de John Locke (2 Tratados sobre o Governo) ? tudo começou com família, que formou tribo, que formou reino, que formou estado (até chegar a um império) ? As leis do Estado são determinadas por preceitos que derivam dessa hierarquia de conduta e costume familiares. Portanto, se o Estado tem o direito de usar a força para manter a ordem, por que os pais não teriam ?
Palmadas, cintadas, fios-de-ferro são cócegas perto do poder de agressão das instituições policiais do Estado: da forma que eles te reprimem e te punem(quando você não foi morto durante a repressão), caso você transgrida as normas.
Além disso,voltando.
No que isso beneficia na formação do indivíduo ?
Acho que talvez a pergunta certa a fazer é: que tipo de indivíduos queremos ter ?
Bem.. quanto a isso deixo apenas alguns detalhes da História. Peguemos os Espartanos: Esparta foi uma cidade praticamente formada por soldados, que quase tomou toda a Grécia. Poucos conhecem realmente a história de Esparta, e baseiam-se somente nos filmes (e principalmente o último 300, tem cunho político e difamatório, pois a Pérsia, é hoje o Irã.. além disso os Persas são colocados como "selvagens" quando na realidade os persas eram muito mais avançados) , que erroneamente colocam os espartanos como idealistas. Nunca foram !! O homem espartano era criado para ser soldado. A mulher tinha mais poder do que o homem, e era vista como a Chefe da Família. Ao homem espartano, não lhe era ensinado a história de seu povo, seus costumes, política, religião, ou qualquer outra faculdade. Aos espartanos só era ensinado a agressão e a dor, a punição pela dor, e as conquistas pela agressão. Desde criança o espartano era ensinado a guerrear, a suportar e compreender a dor física, e assim, somente assim, foram os maiores guerreiros que a humanidade já conheceu.
Obviamente que não precisamos ser educados apenas pela a agressão, a moderação é a chave.
Mas uma coisa é certa: quem apanha, aprende a bater.

Sds.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Occasional Letter

Esses dias, estava voltando do serviço e ao entrar em casa com minha moto, passa pela rua meu professor da Oitava Série do Ginásio, acho que de 1992. Ele era meu professor de história e ensinou história do Brasil. Parei a moto, o chamei e ficamos conversando.
Eu lhe falei da minha carreira, como foi minha vida nesses 20 anos, essas coisas. E eu como grande amante da educação, fatalmente cheguei ao tema da profissão professor. Quis perguntar para ele como é ser professor hoje, e fiquei literalmente chocado com o que ele me disse.
O que ouvi dele foi exatamente o que os e-mails sobre educação que circulam na internet dizem. Impressionante !! Escola agora é produto a ser consumido.
Me lembro que quando professor convocava meus pais para uma conversa caso minhas notas tivessem baixas, eu já podia esperar o pior (castigo). Atualmente, se o aluno não tira boas notas, a culpa é atribuída ao professor, como se o pai não tivesse a menor responsabilidade em manter o foco dos filhos nos estudos.
As famílias estão desestruturadas - palavras dele -, as pessoas casam, descasam, e o filho acaba se sendo um segundo plano, apenas o produto de uma relação, e não o fator. Muitos pensam que conceitos de casamento existem para fins conjugais, mas estão errados, todos os profetas e filósofos idealizaram o casamento com a única finalidade de manutenção da prole.
Segundo ele, os jovens assistem Malhação e acabam achando que escola é aquilo. Ou seja, lugar para namoro, curtição, intrigas, fofocas e talvez, se der tempo, para estudar. Ele me disse que é comum professores pedirem exoneração por não suportarem o desinteresse e mau comportamento dos alunos.
Foi realmente triste ouvir tudo aquilo. No fim conversamos um pouco mais, ele se despediu de mim, ficou feliz pelas minhas novidades, e claro não pude deixar de reconhecer seu mérito. Afinal, se hoje sou o que sou, em partes foi graças a ele também.
Enfim, essa conversa me fez lembrar um manuscrito que li há 14 anos atrás chamado Occasional Letter Nº 1, escrito por John D. Rockefeller e Andrew Carnegie em 1906, e suportado por outros eminentes industriais e banqueiros. Todos foram os principais patrocinadores da educação compulsória dos EUA, desde a NTA(Nationtal Teatchers Association) que mais tarde viria a se tornar NEA (National Education Association, tornando uma agência reguladora da educação nos EUA justamente em 1906 com aprovação do congresso) , até o General Education Board (uma espécie de comissão geral de educação). O período em que se deu essa transformação na educação dos EUA foi de 30 anos, entre 1896 a 1920.
A idéia era simples: estes homens não estavam interessados em formar pensadores, legisladores, doutores, escritores seres humanos únicos e genuínos, com sua própria individualidade, e que mais tarde poderiam até lhes atrapalhar. Mas sim implantar o coletivismo: estavam interessandos em formar uma nação de trabalhadores, uma verdadeira massa, inteligentes o suficiente para efetuar grandes cálculos, criarem grandes utensílios, mas com a conhecimento insuficiente para terem a capacidade de discernirem o que realmente é bom ou ruim para seus próprios interesses.
O documento fala que para se atingir o objetivo final, através da educação compulsória, seriam necessários:
-A destruição do casamento, da família e do poder pátrio.
-A destruição da herança.
-A redução do quociente de inteligência(QI) a um fator comum.
As ações tomadas para se atingir esses objetivos foram gradualmente introduzidas como normas e conteúdo dentro dessas cartilhas de educação dessas comissões, que como dito, em 1906 passaram a agências reguladoras aprovadas em congresso, e que por sua vez, obrigavam o cumprimento dessas cartilhas de forma compulsória.
A primeira idéia básica introduzida era ensinar a criança a fazer as coisas da forma perfeita, que seus país e mães fizeram de forma imperfeita. Desde então, o sistema de ensino promovido e regulado pelo estado nunca tivera o propósito de educar a criança para valores voltados para a família, educação futura de suas próprias crianças, ou o convívio com comunidade para formar o país. Mas a idéia era criar um país com uma forte e concentrada economia corporativa centralizada e centralizar principalmente a renda, e para tanto, a política de Estado tinha que alinhar-se ao mesmo objetivo. E foi a partir de 1910 que a escola começou a ser vista pelos governantes como uma extensão da indústria e uma ferramente do governo.
O primeiro alvo na educação era o fim dos hábitos de subexistência como atividades próprias (ou pequenos empresários ou negociantes). As escolas passaram a educar e preparar seus alunos para serem empregados de grandes sistemas de produção, promovendo um conteúdo justamente dava ênfase de forma eufemista ao convívio da vida urbana, da hierarquia do trabalho, e dos meios de produção, fazendo destas instituições, a força motriz que aparentemente move o país. Os alunos passariam a enxergar a si mesmos como futuros empregados dessas instituições, pois acreditarão que são elas que fundamentam o país.
Paralelamente, uma campanha psicológica de superprodução (promovendo as grandes indústrias e corporações como as melhores formas de progresso do Estado, um exemplo foi o Fordismo) tomou a américa, com o próposito de reduzir, através do desestimulo, o surgimento de pequenos empresários, artesãos ou pequenos fabricantes. E de 1880 a 1930, depois de eliminarem a a habilidade do americano de pensar como um trabalhador independente, as idéias e fundamentos de métodos de trabalhos e gerenciamento voltados para grande-escala já eram adotadas pela a maioria das empresas nos EUA, e desde então passou a ser de profunda influência para o modelo de educação nos EUA, e mais tarde na Europa e no Mundo.
Tanto que Ellwood P. Cubberley, membro dos professores de Columbia escreve em 1905, que como nos meios de produção, as crianças, estão sendo ensinadas e moldadas como um produto final, montadas de acordo com as especifiações e normas de um produto que atendem a indústria ou ao governo.
Em 1919 Arthur Calhoum escreve, uma nota para o "Social History of the Family" explicando o que acontece. Calhoum diz que o sonho de muitos estavam a se tornar realidade ao declarar que a criança estava saindo da custódia da família para passar a custódia de especialistas (colocados pelo estado). E de fato era e é o que acontece, pois a criança passa maior parte de seu tempo de infância e depois adolescência em companhia de amigos e mestres do que os próprios pais.
Em 1921 o prefeito de Nova York John F. Hylan diz em um discurso público que as escolas haviam se transformado em uma forma de "governo invisível".
São muitos os métodos implementados no currículum escolar que tem como objetivo nos moldar, implantar nosso conformismo, resignação e permitir o cumprimento das metas mencionadas acima . Não é possível expor todos em um simples post, mas fatalmente irei falar deles em outra ocasião, e neste momento farei questão de "linká-los" com este post.
No momento fico contente em simplesmente deixar o leito ciente de que a idéia de Educação Compulsória já foi vista como forma de preparação para a vida servil moderna, e não por Anarquistas, Teóricos da Conspiração ou Comunistas, mas sim por educadores.

Sds.