sábado, 7 de agosto de 2010

Xenofobia distorcida...

Após escrever o tópico anterior e ter mencionado sobre os pontos do partido nazista, inevitavelmente me veio a cabeça alguns pensamentos acerca daqueles acontecimentos que me levaram a tentar fundamentar o porque da origem daquelas idéias, e falo da nacionalismo extremista alemão que imperou no 3º Reich.
Mas para entender exatamente os motivos que alimentaram o nacionalismo, não só na Alemanha, mas em todos os povos que durante a história se levantaram em busca da auto-determinação devemos fazer uma pequena analogia.
A analogia da Família. Sim, novamente !! Pois realmente, o melhor micro modelo (se é que posso chamar assim) para o Estado, é a família, já que como disse anteriormente, é quem constrói o Estado.
Pois bem !! Imagine que hipoteticamente uma família com uns 15 membros chegou de longe, receberam uma porção de terra para cultivar e morar, e por lá se instalaram.
A terra só era fértil em determinada época do ano, e assim se adaptaram: como o terreno era ideal para o cultivo de batatas, desenvolveram sua culinária em torno deste legume. A vegetação da região era repleta de bambus, e a partir dela criaram seus abrigos e utensílios. Era uma região delicada de se morar, mas sabendo de seus ciclos e habituando-se a eles, a vida era facilmente adaptável.
Quando havia épocas de ambundância, estocavam seus alimentos, e quando não tinham mais como estocar, paravam a produção e consumiam o excedente em festas e banquetes familiares, que quase sempre coincidiam na mesma época do ano. E da mesma forma, em épocas de escassez a vida era mais rígida, a família abdicava das práticas hedonistas para evitar o consumo excessivo em períodos naturais de escassez.
A água era pouca, e suas fontes dependiam demais das condições do solo de todo o terreno. O plantio, os rodízios, a extração do bambu, tudo tinha que ser feito com extrema disciplina, qualquer desbalanço no solo gerava sua perda de humidade, causando rachaduras e drenando toda a água que alimentaria a fonte.
Com o passar do tempo, técnicas de plantio foram criadas para maximizar a produção. E assim essa família foi crescendo, se distribuindo em pequenas casas dentro do terreno, separando-os do patriarca, mas ainda sim os hábitos familiares são muitos semelhantes, já que todos foram criados praticamente da mesma maneira.
Como toda a região era semelhante, e com graves problemas de escassez, seus vizinhos que tinham uma família maior e cujo o terreno não lhes era suficiente, passavam a cobiçar o terreno dos outros. E lá estava a família do terreno defendendo cada metro de terra que lhes competia.
Com o passar dos anos isso foi trazendo muitas infelicidades para essa família que durante todas essas batalhas perdeu muitos de seus membros. Com vista a necessidade, a família também começou a educar seus descendentes na arte da guerra, e como essa guerra tinha o objetivo a defesa do território, todas as armas passivas e ativas, técnicas persuasivas e disuasivas, eram criadas para a luta neste terreno. Mas os invasores não paravam de chegar, e de tempos em tempos grandes batalhas aconteciam.
Em um determinado período uma grande batalha dizimou grande parte dos homens do terreno, deixando muitas mulheres desamparadas. E como as mulheres nessa família não foram criadas para ter uma vida independente, o patriarca maior institui a poligamia, com o intuito de que os homens trouxessem as mulheres desamparadas para dentro de casa.
Ouve épocas em que o invasor era muito poderoso e essa terra foi invadida e ocupada, mas com o passar dos anos essa família, então feita de escrava e com o direito de culto de suas tradições proibido, manteve secretamente sua história, seu conhecimento, seus laços de identidade, embora tenha sido inevitável a "contaminação" com os hábitos de seu invasor, que introduziu a beterraba no plantio e utilizava o barro como principal matéria prima para infra-estrutura. Muitos dos hábitos dos invasores eram considerados diabólicos já que violavam fundamentalmente os costumes dessa família (como em épocas de ecassez, onde o invasor não abolia a pratica de festas ou banquetes).
E no momento mais crítico, que é sempre inevitável já que um invasor raramente conhece a terra de seu inimigo e usa os recursos sem sabedoria gerando a escassez que fomenta de forma definitiva a revolta de seus dominados, novamente com morte e sacrifício, essa família que cresceu enquanto escrava repeliu todos seus invasores enfraquecidos pela crise.
As coisas novamente se estabelecem como elas devem ser. A família, agora consumidora de batata com beterraba, e que usa barro e bambu em sua infra-estrutura se firma com um laço e identidade maiores ainda. Muitos dos conhecimentos foram perdidos pela proibição, pelo tempo e pela "contaminação". Como eles conseguiram conhecimento para o plantio em época de escassez de seus invasores, e com o terreno menos populado já que os invasores foram expulsos, a produção era quase constante, porém as comemorações e privações populares ainda foram mantidos.
A população de homens e mulheres se iguala, no entanto a poligamia ainda é mantida, já que poucos sequer hoje sabem porque ela surgiu e como todos convivem normalmente assim, não há porque abolir-la.
Com a prosperidade surgem os primeiros sentimentos de orgulhos e feitos. O conhecimento do uso sábio da terra por seu povo acaba sendo valorizado, e adulado, principalmente porque já foi provado que o uso incorreto não funciona. E com este orgulho familiar, em épocas de início de plantio ou colheita começaram a comemorar esses eventos. Passando a criar coreografias e alegorias (todas voltadas para a imitação do trabalho de plantio) que com o passar do tempo e a falta de necessidade (já que começaram a inventar instrumentos e usar animais no plantio) esses gestos que imitavam o trabalho de plantio foram incorporados como rituais na comemoração.
Com o tempo esse terreno (que já tinha aspectos de uma grande fazenda) começou a educar descendentes com a idéia de amor a terra, e do respeito por ela. Seus ancestrais passaram a ser vistos como patronos e pessoas essenciais para a existência da família tal como é na atualidade, e toda a educação dessa família se volta para o entendimento dela mesma e sua perpetuação.
Pois bem meus caros... Isso é um país.
E eu te pergunto. Quando você se hospeda na casa de outra família de favor, você exige que essa família mude seus hábitos para agradar a você, ou é você quem se adapta aos hábitos dessa família ? E mesmo que você pague a água que tu bebes, a comida que comes, o banheiro que usa, isso não lhe dá o direito de exigir nada, pois certamente na grande parte das vezes é essa família que está lhe fazendo o favor de lhe hospedar (pois ninguém sai da própria casa para ir a um lugar pior sem um motivo ainda pior), e quem bancou pela casa até o momento foi essa família que lhe recebe.
Então por que as pessoas acham que elas devem ter direitos em outros países ? Com que bases ou fundamentos, o cidadão do ocidente acha certo julgar outros povos e costumes ? Nós também crescemos sobre hábitos passados hierarquicamente durante gerações.
Qual é o problema de eu não querer um estrangeiro em meu país ? Meu país mal consegue abrigar com dignidade seus próprios cidadãos, então por que devo receber outros de braços abertos, e ainda lhe dar as melhores regalias ?
Se foram os ancestrais de nossos cidadãos que morreram e se sacrificaram para construir meu país, e muitas vezes lutando contra aqueles que hoje tentam entrar e se beneficiar de nossa riqueza, por que eu não tenho o direito de me manifestar contra ?
Os europeus,em parte, enxergam os imigrantes com a mesma ótica que expus esse texto: como invasores que estão acabando com suas riquezas, culturas, história e tradição. E se quiser minha opinião, eles tem o pleno direito.
O povo brasileiro sim que está burro. Burro a ponto de não raciocinar de acordo com seu próprio interesse. Quando ele sai daqui para ser acolhido em outro país, lhe dão o pior emprego, o tratam como sub-humano (pois o vêem como selvagem), tem uma série de privações com relação aos cidadãos conterrâneos, mas mesmo assim insistem em classificar esses lugares e pessoas como melhores. O brasileiro esquece que somente no Brasil é que ele será visto como um "semelhante" (pelo menos entre seu povo).
Quem acusa aquele que defende a preservação desses valores e tradições de Xenófobo, é o verdadeiro Xenófobo. Acabar com as culturas, massificando-as sob o pretexto de uma liberdade - diga-se de passagem uma falsa liberdade, que tem o voto (como se significasse liberdade), o trabalho remunerado (como se também significasse liberdade) e o hedonismo como principais valores - é o verdadeiro extermínio étnico dos povos que não se viu durante a história.
Não se mata um povo exterminando seus membros, mas sim acabando com sua história.
Sds.

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